Ano C › 06/06/2016

10º. Domingo Comum

viuva de naimAmados irmãos e irmãs

Jesus segundo os evangelhos ressuscitou apenas três pessoas: Lázaro, a filha de Jairo e o filho da viúva de Naim e isto deixa claro que sua missão principal não era esta, aliás, aqui o que Jesus faz é devolver a vida biológica; pois todos eles morrem depois.

Portanto, nossa Vida está em Cristo porque nele nos movemos e somos, sem ele, nossa caminhada terrena não passa de um cortejo fúnebre, onde somos como um morto vivo, caminhando para a ruína da morte biológica, para ser devorado pela terra; imaginem se não acreditássemos na vida eterna, certeza teríamos de que estarmos caminhando para abraçar a morte eterna.

Muitas pessoas hoje caminham cabisbaixas como se fossem sepultar sua esperança, mães que veem e acompanham a vida do filho na droga, na cadeia, etc. outros caminham cabisbaixos, sem perspectiva de vida e sem esperança no coração. Jesus está a nos dizer hoje: Não chores mais! Quero fazer de você uma nova criatura!

Jamais um ser humano necessitado cruzou o caminho de Jesus, passando despercebido. Pelo contrário, chamava-lhe a atenção e era socorrido. A compaixão deve ser também, o traço característico da ação de cada um de nós. O que estamos fazendo ao encontrar as viúvas que levam seus filhos à sepultura? Estamos sendo Igreja em saída; uma vez que dentro de suntuosos templos e belas sacristias jamais iremos encontrar tais viúvas.
A iniciativa de Jesus é provocada pela sua compaixão. Não é da morte que Jesus tem compaixão, nem do morto, mas da pessoa que sofre. Em Israel, no tempo de Jesus, a situação da mulher viúva era a pior que existia. Ela tinha que se “virar sozinha” para sustentar a si e aos filhos. Os filhos eram para ela a esperança de sua velhice. Agora imaginem a situação de uma viúva cujo filho único vem a morrer.

Os cristãos podem e devem chorar seus mortos não pela morte em si, pois ela é a nossa páscoa, mas sim pela dor da separação daquele que amamos. É muito comum ouvirmos que quem muito chora é porque tinha remorso. É preciso tomar cuidado com esta afirmação uma vez que às vezes choramos porque amamos muito, lembro aqui que Jesus chorou pela morte de Lázaro.

Outro detalhe é que neste Evangelho temos duas procissões e ambas com muita gente; uma segue a morte, a dor e o pranto e a outra segue o Senhor da vida, alegria e ressurreição.

Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja no Sermão 98 nos ensina: Há pessoas com o pecado dentro do coração mas que ainda não o cometeram. Tendo consentido no pecado, ele habita lhes a alma como morto, mas não saiu ainda para fora. Ora, acontece amiúde aos homens esta experiência interior: depois de terem escutado a palavra de Deus, parece-lhes que o Senhor lhes diz: Levanta-te! E, condenando o consentimento que dantes haviam dado ao mal, retomam fôlego para viver na salvação e na justiça. Outros, após aquele consentimento, partem para os atos, transportando assim o morto que traziam escondido no fundo do coração para expô-lo diante de todos. Deveremos desesperar deles? Não disse o Salvador ao jovem de Naim: Eu te ordeno: Levanta-te! Não o devolveu a sua mãe? O mesmo acontece a quem atuou desse modo: tocado e comovido pela Palavra da Verdade, ressuscita à voz de Cristo e volta à vida. É certo que deu mais um passo na via do pecado, mas não pereceu para sempre. Já aqueles que se embrenham nos maus hábitos, ao ponto de perderem a noção do próprio mal que cometem, procuram defender os seus maus atos e encolerizam-se quando alguém lhes censura. A esses, esmagados pelo peso do hábito de pecar, albergam as mortalhas e os túmulos e cada pedra colocada sobre o seu sepulcro mais não é do que a força tirânica desse mau uso que lhes oprime a alma e não lhes permite nem levantar-se e nem respirar. Por isso, irmãos caríssimos, façamos de tal modo que quem vive viva, e quem está morto volte à vida e faça penitência. Os que vivem conservem a vida, e os que estão mortos apressem-se a ressuscitar.

No livro dos Reis vemos que o profeta Elias intercede a Deus e com isto devolve a vida ao filho da viúva que diz: “Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios”. Somos aqui chamados a olhar se nossa vida de cristão está levando as pessoas a enxergar a ação de Deus em nós.

Na carta aos gálatas, Paulo nos diz: “Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano”. Ele diz que o recebeu por revelação de Jesus Cristo e que o anunciará aos gentios. O interessante é que isto tudo aconteceu antes que ele conhecesse Pedro e outros apóstolos.
Rezemos com o salmista: Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Rs 17,17-24
Salmo: 29
2ª. Leitura: Gálatas 1,11-19
Evangelho: Lucas 7,11-17

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