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Ano Par › 06/11/2018

Terça Feira – 31ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs 

São muitos os convidados, são muitos os convidados. Quase ninguém tem tempo, quase ninguém tem tempo. Este é um refrão de uma antiga canção de nosso estimado padre Zezinho e que muito serve para nos auxiliar na reflexão da liturgia de hoje.
Obviamente que os convidados de hoje teriam outras desculpas para recusar o convite e vejam as possíveis desculpas: Comprei um apartamento na praia; vou passear no shopping; tem churrasco lá em casa; agendei uma viagem, meu time está na final, minha escola de samba vai desfilar, etc. Interessante que mesmo dentro de nossas comunidades tem gente com a agenda tão repleta de seminários, cursos, palestras, reuniões, encontros e retiros que não sobra tempo para o banquete da sua Palavra e da Eucaristia ou para a adoração Eucarística para a qual o Senhor insistentemente nos tem convidado. Não fique a pensar que o convite é só para quem está fora da Igreja ou para quem não conhece Jesus. O convite sempre foi para todos nós sem exceção. Não citarei o movimento, mas citarei o caso ocorrido em uma reunião de CPP numa paróquia lá da China onde o pároco ofereceu para celebrar a santa missa todos os meses antes da reunião mensal de tal movimento e a maioria não aceitou sob a alegação de a Missa atrasaria a reunião. Pasmem; mas disso eu sou testemunha ocular e auricular.
O que precisamos entender é que as portas escancaradas para este banquete são as portas do Coração de Jesus.
Aqui na Comunidade Missionária Divina Misericórdia os convidados de Jesus são justamente estes dos quais o evangelho nos fala, pois eles são marginalizados pela sociedade e às vezes até por certas alas da Igreja; mas como eles apesar de tanta dor e sofrimento conseguem ser sinceros ao demonstrar em atos e palavras seu amor por Jesus. Certo dia foi pedido a um deles para nos ajudar a levar o material litúrgico para a Capela e pasmem os senhores que ele se recusou a entrar na capela. Então perguntamos o motivo e para nossa surpresa ele disse: “Eu não sou digno de entrar neste lugar”! . Boquiabertos só conseguimos dizer: Dentre todos nós você talvez seja o mais digno de entrar neste lugar!
A beata Teresa de Calcutá, fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade nos ensina que o pobre não tem somente fome de pão; também tem uma terrível fome de dignidade humana. Nós temos necessidade de amor e de existir para alguém. E é aí que cometemos um erro sempre que empurramos as pessoas para baixo. Não só negamos aos pobres um pedaço de pão, como além disso, ao considerá-los como nada, abandonando-os na rua, lhes recusamos essa dignidade que é sua, de pleno direito, enquanto filhos de Deus. Hoje em dia, o mundo não tem fome só de pão, mas também de amor; tem fome de ser desejado, de ser amado. As pessoas têm fome de sentir a presença de Cristo. Em muitos países, há de tudo em abundância, exceto essa presença, essa benevolência. Há pobres em todos os países. Há continentes em que a pobreza é mais espiritual que material: é uma pobreza feita de solidão, de desalento, de ausência de sentido. Mas também nas ruas da Europa e da América vi pessoas na maior miséria, a dormir em caixas de papelão, vestidas de trapos. Tanto Paris como Roma e Londres conhecem essa forma de pobreza. É tão simples falar sobre os pobres que estão longe ou preocuparmo-nos com eles. É mais difícil, e quiçá um desafio maior, prestar atenção e preocuparmo-nos com o pobre que vive a dois passos da nossa casa.
O arroz, o pão que dou ao esfomeado que encontro na rua acalmar-lhe-á a fome; mas é muito difícil saciar a fome daquele que vive na exclusão, na falta de amor e cheio de medo. Vós, que viveis no Ocidente, muito mais que a pobreza material, conheceis a pobreza espiritual e é por isso que os vossos pobres estão entre os mais pobres. Entre os ricos, há muitas vezes pessoas espiritualmente muito pobres. A meu ver, é fácil alimentar quem tem fome ou dar dormida a um sem-abrigo. Mas consolar, apagar a amargura, a cólera e o isolamento que resultam da indigência espiritual, isso exige muito mais tempo.
São Paulo fala aos filipenses e a nós hoje sobre a obediência de Cristo que foi obediente até a morte e morte de Cruz. Uma pessoa pode ser obediente por três motivos: Medo – interesse em alguma coisa ou por amor. Jesus foi obediente por amor a nós e hoje Ele te convida a ser obediente única e exclusivamente por amor; pois somente assim ao nome de Jesus todo joelho se dobrará no céu, na terra e nos infernos e a partir de mim e de você toda língua confessará, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
Rezemos com o salmista: Senhor que eu cumpra meus votos ante aqueles que vos temem! Que vossos pobres possam comer e saciar-se, e os que o procuram vos louve por todo o sempre para que seus corações tenham vida. Sabemos que o Senhor tem pressa enviai, pois mais operários para vossa messe. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Filipenses 2,5-11
Salmo: 22
Evangelho: Lucas 14,15-24

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