Highslide for Wordpress Plugin
Ano C › 21/11/2016

Solenidade de Cristo Rei do Universo

15055612_1132598136825410_651939262713835373_nAmados irmãos e irmãs
Neste último domingo do ano litúrgico celebramos a Solenidade de Cristo Rei do Universo, queremos coroá-lo como nosso Rei; mas não um rei do mundo e sim Rei da paz, do amor, da justiça, da santidade. Também estamos concluindo o Ano da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco.
Esta solenidade foi criada em 1925, pelo Papa Pio XI e embora num primeiro momento possa ter o tom triunfalista; isto é negado pela própria liturgia; pois os evangelhos nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar sua realeza. No inicio do ano litúrgico começamos a percorrer nossa história onde no Advento é a preparação para a chegada do Deus menino até a celebração de seu Reinado universal: “Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat”.
Não há nos evangelhos um único texto em que Jesus tenha assumido o título de rei, o único texto em que pode gerar duvida a este respeito é Jo 18,37 : Pilatos lhe inquiriu: “Então, tu és rei?” Ao que lhe respondeu Jesus: “Tu dizes acertadamente que sou rei. Por esta causa Eu nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade”. No entanto vale lembrar que antes Ele já tinha dito: … “O meu reino não é deste mundo”.
Mas podemos considerar Jesus Rei ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na Paixão, revestido com manto de púrpura-gozação e capacete de espinhos (Mt 28,27s) de resto, Jesus rejeita para si o título de rei que pudesse identificá-lo com a esperança de restaurar a monarquia dravídica e a libertação do país da dominação estrangeira. Jesus rejeita todos os títulos que poderiam fazer pensar no desejo de poder.
Que Rei é este? Rei dos Judeus – Jesus de Nazaré – sofreu uma derrota humilhante e vergonhosa, sendo torturado até na hora da morte, além do mais nasceu pobre em um estábulo, trabalhou com o pai em uma carpintaria, andava a pé e não tinha palácio e nem guarda pessoal e o pior, andava com pessoas de baixo nível, ladrões, prostitutas, pecadores, coisa nada recomendável para um rei.
A liturgia nos leva a dar um mergulho no mistério da Cruz que é intrigante, ou seja, o diálogo dos dois ladrões e o diálogo de um deles com Jesus e que termina com uma afirmativa belíssima, que pode ser a motivação maior deste Evangelho na Festa de Cristo Rei. Hoje mesmo estarás comigo no paraíso. Imaginamos que o assim chamado Bom Ladrão, foi acolhido no céu logo após sua morte ali na cruz, ao lado de Jesus. Entretanto a afirmativa acena para um Reino que começou ali na cruz e que irá se consumir na Vida Eterna.
Jesus manifestou o Amor da plenitude junto com a Misericórdia, nos ensinamentos e palavras, nas ações sempre a favor da Vida. Os príncipes dos sacerdotes, os soldados e um dos ladrões, não viram Nele nada disso, pois cada um tinha sua divindade, os Príncipes dos Sacerdotes seguiam a Santa Lei de Moisés, os soldados viam deus no Imperador, e o Ladrão que o desafia com impropérios, nem consegue ver ou sentir deus em algo ou em alguém, ele fez sua opção pelo mal e já se conformou com ele, não vendo mais nenhuma saída para sua vida.
O outro Ladrão não é melhor que os demais, mas consegue, do meio da sua maldade que o havia condenado, enxergar que há um Bem naquele Homem, vendo nele algo que vislumbre o próprio Deus… Ele não fez mal algum, portanto, vê com nitidez o Bem nas ações de Jesus. Foi o seu primeiro ato de Fé em Jesus Cristo, acreditando no Bem que ele veio nos trazer, não vendo Nele nenhum Mal.
Muitas vezes até cremos em Cristo mas não conseguimos vislumbrar suas ações do Bem em nosso meio. Onde está então o Reino de DEUS, que Jesus inaugurou em nosso meio? Seria ingenuidade querermos enxergá-lo só dentro da nossa Igreja.
O leitor poderá até pensar: mas que começo trágico desse Reino, que perspectiva pode ter um reino, que no seu início tem seu idealizador morto com requintes de crueldade no madeiro da cruz, morte humilhante e vergonhosa? Nem seus seguidores mais fiéis estavam ali, apenas um deles junto as mulheres. Para São Lucas, que realça a Salvação a toda humanidade, a cruz inaugura o Reino e o retorno do paraíso, não só daquele ladrão arrependido, mas de toda humanidade e assim, a derrota humilhante é na verdade a vitória.
O Amor é mais forte que a morte! O Reino é o Amor, e o Amor é o Reino. O tempo do Amor, da Justiça e da Paz está definitivamente inaugurado entre os homens e Deus manifestado em Jesus de Nazaré, começa o seu Reinado que não terá fim, ao contrário do Império que o condenou.
Aonde houver alguém se doando, se entregando por amor, vivendo a esperança e a misericórdia em suas relações, aonde houver gente vivendo o perdão, aonde houver gente lutando pela Vida, brigando pela Justiça, a Paz e a Igualdade, ali estará Cruz do Senhor, ali estará o Reino, não ainda em sua forma definitiva.
Na primeira leitura do segundo livro de Samuel vemos que a unção de Davi como rei de Israel por volta do ano mil antes de Cristo é tipo messiânico da Realeza de Cristo – o Ungido, cuja paixão e cruz é o testemunho máximo ao serviço do Reino de Deus, e cujo senhorio universal e salvífico culmina na reconciliação com Deus e de todos os seres pelo sangue de sua cruz. Todas as tribos de Israel vieram ter com Davi e é assim que todos os povos de todas as raças e nações são chamados a ter com o Senhor Jesus.
Na segunda leitura da carta de são Paulo aos Colossenses o apóstolo nos fala que o Pai nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção e a remissão dos pecados. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja e ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus. Vejam irmãos que nada foi fácil e o preço de nosso resgate foi sangue e sangue de um Deus. Ninguém nunca foi e nunca mais será resgatado por tão lato preço.
Temos hoje a Abertura da Campanha Nacional para a Evangelização que neste ano tem com lema: “Ele está no meio de nós”.
A Igreja no Brasil também comemora hoje o dia dos leigos, os discípulos missionários do Reino de Deus, mulheres e homens que vivem profundamente sua vocação batismal.
15170763_1132596910158866_3363656851392211091_nRezemos com o Salmista: Que alegria quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 2 Samuel 5,1-3)
Salmo: 121/122
2ª. Leitura: Colossenses 1,12-20
Evangelho: Lucas 23,35-43

Imprimir

Deixe uma resposta