Highslide for Wordpress Plugin
Ano A, Santoral › 26/11/2017

Solenidade de Cristo Rei do Universo

23434852_1488861637865723_7037847361300390274_nAmados irmãos e irmãs
Esta solenidade foi criada em 1925, pelo Papa Pio XI e embora num primeiro momento possa ter o tom triunfalista; isto é negado pela própria liturgia; pois os evangelhos nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar sua realeza. No inicio do ano litúrgico começamos a percorrer nossa história onde no Advento é a preparação para a chegada do Deus menino até a celebração de seu Reinado universal: “Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat”.
Não há nos evangelhos um único texto em que Jesus tenha assumido o título de rei, mas podemos considerar Jesus Rei ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na Paixão, revestido com manto de púrpura-gozação e capacete de espinhos (Mt 28,27s) de resto, Jesus rejeita para si o título de rei que pudesse identificá-lo com a esperança de restaurar a monarquia davídica e a libertação do país da dominação estrangeira. Jesus rejeita todos os títulos que poderiam fazer pensar no desejo de poder.
Que Rei é este? Rei dos Judeus – Jesus de Nazaré – sofreu uma derrota humilhante e vergonhosa, sendo torturado até na hora da morte, além do mais nasceu pobre em um estábulo, trabalhou com o pai em uma carpintaria, andava a pé e não tinha palácio e nem guarda pessoal e o pior, andava com pessoas de baixo nível, ladrões, prostitutas, pecadores, coisa nada recomendável para um rei.
Conhecida como a parábola do juízo final esta parábola vem nos dar a certeza de que o amor ao irmão é uma condição essencial para fazer parte do Reino.
Deus não condena ninguém. Quem se condena ou não é o homem, na medida em que não aceita ou aceita a vida que Deus lhe oferece.
Olhando a grandeza desta solenidade somos convidados a entender o sentido último de nosso batismo, pois na realeza de Jesus fomos batizados para sermos reis e rainhas; no sacerdócio de Jesus, para sermos sacerdotes e sacerdotisas; no profetismo de Jesus, para sermos profetas e profetisas, para viver segundo o imperativo da Palavra de Deus revelada em seu Filho. No sacerdócio de Jesus nos unimos à sua missão de gastar a vida pelos demais.
A festa de hoje nos faz contemplar a existência do universo, Deus não criou somente a terra amas todo o universo!
Jesus identifica-se com os pequenos, os pobres, os débeis, os marginalizados; manifestar amor e solidariedade para com o pobre é fazê-lo ao próprio Jesus e manifestar egoísmo e indiferença para com o pobre é fazê-lo ao próprio Jesus e é por isto que dizemos que o Senhor está na pessoa do preso, do doente, do enfermo; está na pessoa daquele que passa fome, daquele que passa necessidade. Os santos padres da Igreja diziam: “A carne do pobre é a carne de Cristo”. Carne humana sofrida pela doença, pela lepra que vezes não gostamos de olhar, que não suportamos o cheiro. É o cheiro de Jesus. Lembro-me aqui que durante uma visita de Dom Joviano, então bispo de Ribeirão Preto SP, a uma de nossas casas eu estava muito preocupado com o cheiro de urina devido ao número de usuários de fraudas geriátricas e quando chegou mesmo sem entrar na casa o bispo disse: Esse lugar tem cheiro de Deus!
De nada adianta adorar Jesus no Sacrário, na igreja; com a Bíblia pregando para lá e para cá, se não soubermos transformar isto em obras. Não é discurso social, é discurso evangélico; não é teoria política, é Evangelho puro: cuidar dos pobres, amá-los e dar a nossa vida por eles. Precisamos lembrar que antes de ser opção preferencial da Igreja os pobres sempre foram a opção preferencial de Jesus!
O Reino de Deus é eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz.
Na primeira leitura da profecia de Ezequiel vemos a imagem do Bom Pastor, um Deus que conduz seu Povo pelos caminhos da história; um Deus que se preocupa conosco e tem carinho, cuidado e amor. Um Rei que acima de tudo é pastor e com certeza tem cheiro de ovelha e estaria a nos pedir como pastores que tenhamos o cheiro do povo confiado a nós.
Na segunda leitura Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada dos que creem é a participação no “Reino de Deus”. A nossa vida presente não é um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a vida total que Deus nos reserva.
Hoje é o dia do leigo que são todos os batizados, que sem serem ministros ordenados ou membros de Congregações e Institutos de Vida Consagrada, fazem parte do imenso povo de Deus e neste ano a Igreja no Brasil celebra o ano do leigo.
Rezemos com o salmista: O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. Amém.

Reflexão feita pelo diácono Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Ez 34,11-12.15-17
Salmo: Salmo 22 (23)
2ª. Leitura: 1 Cor 15,20-26.28
Evangelho: Mt 25,31-46

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *