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Ano B, Santoral › 31/05/2018

Solenidade de Corpus Christi

Amados irmãos e irmãs 

“A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia.” Sem Eucaristia a Igreja não existiria e sem Igreja a Eucaristia não teria razão de ser!
O papa emérito Bento XVI na homilia de Corpus Christi de 2001 disse: na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece uma sua procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição.
Santo Agostinho ajuda-nos a compreender a dinâmica da comunhão eucarística, quando faz referência a uma espécie de visão que teve, na qual Jesus lhe disse: Eu sou o alimento dos fortes. Cresce e receber-me-ás. Tu não me transformarás em ti, como o alimento do corpo, mas és tu que serás transformado em mim (Confissões VII, 10, 18). Portanto quando comungamos nos tornamos o Corpo e Sangue de Cristo, nos divinizamos, a transubstanciação, de certa forma, se prolonga em todo o nosso ser; não é mais o meu, mas é o sangue de Cristo que corre em minhas veias.
Comungar é algo muito sério e mais sério ainda é comungar Jesus Cristo, pois isto significa comungar dos seus ideais; por isto tem uma canção que diz: “Comungar é tornar-se um perigo…” Perigo para o mundo e perigo para si mesmo na sua segurança pessoal. Você vai se tornar outro Cristo e será ameaça aos interesses dos poderosos e gananciosos e ser perigo para si porque eles se voltarão contra você e assim como fizeram com Jesus vão querer fazer com você, ou seja, vão querer matar você.
A comunhão eucarística une-me à pessoa que está ao meu lado e com a qual, talvez, eu nem sequer tenho um bom relacionamento, mas também aos irmãos distantes, em todas as regiões do mundo. Portanto daqui, da Eucaristia, deriva o profundo sentido da presença social da Igreja, como testemunham os grandes santos sociais, que foram sempre grandes almas eucarísticas. Quem reconhece Jesus na Hóstia sagrada, reconhece-o no irmão que sofre, que tem fome e sede, que é estrangeiro, está nu, doente, prisioneiro; e está atento a cada pessoa, empenha-se de modo concreto por todos aqueles que se encontram em necessidade.
A entrega de Jesus, sua morte-ressurreição, que aconteceram uma única vez (Hb 10,10-18), tornam-se presentes para nós pela ação litúrgica, ou seja, toda vez que fazemos memória destes fatos e de nossa salvação, anunciamos a morte do Senhor, até que Ele venha (1Cor 11,26). Não se trata de uma repetição, mas de uma atualização. O sacrifício é um só.
Corpus Christi (o verdadeiro maná – pão do céu): ajoelhar-se em adoração diante do Senhor. Adorar o Deus de Jesus Cristo, que se fez pão repartido por amor, é o remédio mais válido e radical contra as idolatrias de ontem e de hoje. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é profissão de liberdade: quem se inclina a Jesus não pode e não deve prostrar-se diante de nenhum poder terreno, mesmo que seja forte. Nós, cristãos, só nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento, porque nele sabemos e acreditamos que está presente o único Deus verdadeiro, que criou o mundo e o amou de tal modo que lhe deu o seu Filho único (cf. Jo 3, 16). Prostramo-nos diante de um Deus que foi o primeiro a inclinar-se diante do homem, como Bom Samaritano, para socorrê-lo e dar a vida, e ajoelhou-se diante de nós para lavar os nossos pés sujos. Adorar o Corpo de Cristo significa crer que ali, naquele pedaço de pão, está realmente Cristo, que dá sentido verdadeiro à vida.

Rezemos com o Salmista: Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Êx 24,3-8
Salmo: 115
2ª. Leitura: Hb 9,11-15
Evangelho: Mc 14,12-16.22-26

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