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Santoral › 15/06/2017

Solenidade de Corpus Christi

19149137_1346982572053631_3235871958815720036_nAmados irmãos e irmãs
“A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele”.
“A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia.” Sem Eucaristia a Igreja não existiria e sem Igreja a Eucaristia não teria razão de ser!
O papa emérito Bento XVI na homilia de Corpus Christi de 2001 disse: na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece uma sua procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição.
Santo Agostinho ajuda-nos a compreender a dinâmica da comunhão eucarística, quando faz referência a uma espécie de visão que teve, na qual Jesus lhe disse: Eu sou o alimento dos fortes. Cresce e receber-me-ás. Tu não me transformarás em ti, como o alimento do corpo, mas és tu que serás transformado em mim (Confissões VII, 10, 18). Portanto quando comungamos nos tornamos o Corpo e Sangue de Cristo, nos divinizamos, a transubstanciação, de certa forma, se prolonga em todo o nosso ser; não é mais o meu, mas é o sangue de Cristo que corre em minhas veias.
Comungar é algo muito sério e mais sério ainda é comungar Jesus Cristo, pois isto significa comungar dos seus ideais; por isto tem uma canção que diz: “Comungar é tornar-se um perigo…” Perigo para o mundo e perigo para si mesmo na sua segurança pessoal. Você vai se tornar outro Cristo e será ameaça aos interesses dos poderosos e gananciosos e ser perigo para si porque eles se voltarão contra você e assim como fizeram com Jesus vão querer fazer com você, ou seja, vão querer matar você.
A comunhão eucarística une-me à pessoa que está ao meu lado e com a qual, talvez, eu nem sequer tenho um bom relacionamento, mas também aos irmãos distantes, em todas as regiões do mundo. Portanto daqui, da Eucaristia, deriva o profundo sentido da presença social da Igreja, como testemunham os grandes santos sociais, que foram sempre grandes almas eucarísticas. Quem reconhece Jesus na Hóstia sagrada, reconhece-o no irmão que sofre, que tem fome e sede, que é estrangeiro, está nu, doente, prisioneiro; e está atento a cada pessoa, empenha-se de modo concreto por todos aqueles que se encontram em necessidade.
Na primeira leitura do livro do Deuteronômio nos é reportado ao decálogo: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egito, de uma casa de escravidão. Não terás outro Deus além de Mim” (Êx 20, 2-3). Encontramos aqui o sentido do terceiro elemento constitutivo do Corpus Christi (o verdadeiro maná – pão do céu): ajoelhar-se em adoração diante do Senhor. Adorar o Deus de Jesus Cristo, que se fez pão repartido por amor, é o remédio mais válido e radical contra as idolatrias de ontem e de hoje. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é profissão de liberdade: quem se inclina a Jesus não pode e não deve prostrar-se diante de nenhum poder terreno, mesmo que seja forte. Nós, cristãos, só nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento, porque nele sabemos e acreditamos que está presente o único Deus verdadeiro, que criou o mundo e o amou de tal modo que lhe deu o seu Filho único (cf. Jo 3, 16). Prostramo-nos diante de um Deus que foi o primeiro a inclinar-se diante do homem, como Bom Samaritano, para socorrê-lo e dar a vida, e ajoelhou-se diante de nós para lavar os nossos pés sujos. Adorar o Corpo de Cristo significa crer que ali, naquele pedaço de pão, está realmente Cristo, que dá sentido verdadeiro à vida.
Na primeira carta de são Paulo aos coríntios vemos como era nas origens, a celebração eucarística em Roma, e em muitas outras cidades onde chegava a mensagem evangélica: havia em cada Igreja particular um só Bispo e à sua volta, em volta da Eucaristia por ele celebrada, constituía-se a Comunidade, única porque era uno o Cálice abençoado e um o Pão partido. Vem à mente a outra célebre expressão paulina: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo” (Gl 3, 28). “Todos vós sois um só”! Sente-se nestas palavras a verdade e a força da revolução cristã, a revolução mais profunda da história humana, que se experimenta precisamente em volta da Eucaristia: reúnem-se aqui na presença do Senhor pessoas diversas por idade, sexo, condição social, ideias políticas; mas todos são um assim como o pão é um. Portanto, o Corpus Christi recorda-nos antes de tudo isto: que ser cristãos significa reunir-se de todas as partes para estar na presença do único Senhor e tornar-se n’Ele um só.
Rezemos com o Salmista: Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Dt 8,2-3.14b-16a
Salmo: 147
2ª. Leitura: 1Cor 10,16-17
Evangelho: Jo 6,51-58

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