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Ano Par › 11/05/2018

Sexta Feira – 6ª. Semana da Páscoa

Amados irmãos e irmãs31870712_1676034122481806_3769674413239173120_n

“Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo”.
O sofrimento dos discípulos é comparado à mulher que dá à luz (cf. v. 21). Uma dor cruel esperava-os, ao contemplar o próprio Mestre morto na cruz; porém o Pai haveria de restituir-lhe a vida.
Neste evangelho, com palavras consoladoras Jesus fala com seus discípulos sobre o “Provisório” e o “Permanente”, sobre o “Mortal” e o “Imortal”. Na nossa vida de cristão nos defrontamos inúmeras vezes com situações em que por vezes damos tanta importância a coisas que passarão com o tempo que nos esquecemos daquelas que não passam. Se uma mulher em dores de parto der mais importância as dores corre o risco de esquecer o que virá depois e aí pode acontecer aquilo que em medicina e direito conhecemos como estado puerperal; que ocorre quando devido ao sofrimento causado pelas dores a mãe se descontrola emocionalmente a tal ponto de renegar o recém nascido quando não até assassiná-lo; como ocorre no crime chamado infanticídio onde a mãe mata o próprio filho; por julgá-lo causador de toda dor e sofrimento. Nós também podemos fazer a mesma coisa quando superestimamos os sofrimentos do dia a dia e aí culpamos Deus e acabamos por excluí-lo de nossas vidas por julgá-lo responsável pela nossa dor e sofrimento. Isto funciona como um aborto ou infanticídio onde a mãe vai deixar de contemplar a beleza da vida de um filho e nós vamos deixar de contemplar a glória de Deus reservada a todos os que souberem aceitar o sofrimento e as dores do nosso cotidiano.
Parece que a vida de um cristão consiste em ignorar e desprezar a natureza humana, aspirando somente às coisas da Vida Eterna que virá depois; mas é ilusão pensarmos desta maneira, também na vida de fé não se pode “queimar etapas”, antes de nascermos, habitamos no útero materno o qual pensávamos que era permanente, mas um dia o deixamos para sermos inseridos em uma realidade e um mundo mais amplo. Mas o processo de gestação foi necessário e importante ao longo dos nove meses; onde tínhamos toda segurança do cordão umbilical.
Quando nascemos choramos porque estamos perdendo toda esta segurança, estamos saindo do útero da mãe e dos braços do Pai para uma vida onde existe dor, sofrimento e um mundo de mentira e falsidade; mas se soubermos viver esta vida como “passagem” com certeza na nossa páscoa (morte) todos podem estar chorando, mas nós estaremos sorrindo, pois estaremos voltando para os braços do Pai de onde saímos naquele dia natal que nascemos para a vida provisória e hoje nascemos para a vida eterna neste dia de páscoa.
Disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo – lo dará”. Entendamos aqui meus irmãos que Ele só vai dar aquilo que for útil e necessário para nossa salvação.
São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo e doutor da Igreja em suas
Catequeses batismais, nº 4, 12-15 nos ensina: “Já observaste como todos os dias o Mestre realiza esta nova criação? É que muitas vezes os homens passaram a vida inteira apegados aos prazeres deste mundo, adorando as criaturas e tomando-as por deuses. Quem, portanto, senão o Senhor, poderia persuadi-los a elevarem-se de repente a um tão alto grau de virtude, passando a desprezar todos esses ídolos, adorando o Criador do universo e depositando nele a sua fé, muito acima de todas as coisas desta vida? Convido-vos, portanto, a todos — aos que foram batizados anteriormente, tal como aos que acabam de receber essa graça do Mestre — a escutar esta exortação do Apóstolo Paulo: “As coisas antigas passaram, eis que todas essas coisas se tornaram novas”. Esqueçamos todo o nosso passado; reformulemos a vida como cidadãos chamados a uma vida nova. Em tudo o que dizemos, em tudo o que fazemos, consideremos a dignidade Daquele que habita em nós”.
São Bernardo, monge cisterciense e doutor da Igreja nos ensina: Enquanto aguardais, recebereis suficientes primícias do Espírito (2Cor 1,22) para colherdes desde já na alegria. Semeai na justiça, diz o Senhor, e colhereis a esperança da vida. Ele não vos relega para o último dia, quando tudo vos será dado realmente, e já não na esperança; está a falar do presente. Claro, a nossa felicidade será grande, a nossa alegria infinita, quando começar a verdadeira vida; mas a esperança de uma tão grande felicidade não pode existir sem que haja alegria desde já.
Nos Atos dos apóstolos vemos que o Senhor disse a Paulo em visão: “Não temas! Fala e não te cales. Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade”. O Senhor está hoje a nos dizer exatamente as mesmas palavras e o que se pergunta é se estamos preparados para responder da mesma forma que Paulo respondeu; ou seja, apesar das adversidades não deixar de anunciar que Cristo ressuscitou e vive no meio de nós.

Rezemos com o Salmista: O Senhor é o grande rei de toda a terra. Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra. Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 18,9-18
Salmo: 46/47
Evangelho: João 16,20-23

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