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Ano Par › 02/07/2018

 Segunda Feira – 13ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs
“As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
O discípulo missionário de Jesus precisa ter consciência de que o seguir Jesus deve acontecer na pobreza. Quem pensa seguir Jesus para ficar rico e garantir a própria segurança, está equivocado; pois como vimos Jesus não tinha onde reclinar a cabeça.
Quantas e quantas vezes nós não vemos pessoas da comunidade que ao saírem de um retiro ou encontro se deixam levar pela empolgação e prometem mil e uma peripécias; mas que com o passar dias vai esfriando e tudo volta como era antes.
E o que dizer daqueles que dão eternas desculpas como o esperar ou que vai fazer de tudo pela comunidade. Conheci um que fazia planos após a aposentadoria, o ganhar na mega sena; ou o que quer ser eleito para um cargo político; ou esperar o pároco sair, e por aí vai. Claro que nenhum deles entenderam o versículo acima.
Nossa comunidade vive da providência, ou seja, não aceitamos fazer rifas, bingos, quermesses e jantares e muitos nos criticam; mas sempre dizemos: ou acreditamos ou não acreditamos na providência de Deus; o certo é que há dez anos vivemos assim.
Quando Jesus deu a ordem de segui-lo, sem esperar pela morte e sepultamento do próprio pai; Ele não quis dizer que devemos desprezar nossos familiares; mas sim que devemos colocar nossa opção pelo reino em primeiro lugar. Gostaria aqui de testemunhar que acompanho há muitos anos os missionários claretianos e acompanhei as irmãs do colégio de Jesus Maria e José e o que mais me entristecia é que quando algum deles falecia por vezes sequer havia quem pudesse carregar o caixão até o carro da funerária. Esta é a tradução literal do que Jesus disse a respeito de não ter onde recostar a cabeça.
Santo Afonso Maria de Ligório bispo e doutor da Igreja em seu discurso para a novena de Natal, n°8 nos diz: “Certamente, há na terra príncipes compadecidos para quem é uma alegria consagrar os tesouros que têm à ajuda dos pobres; mas alguma vez vimos um rei que, para ajudar os pobres, tenha adotado a sua condição de pobreza como fez Jesus Cristo? Conta-se como sendo um prodígio de caridade que o rei Santo Eduardo, tendo encontrado no caminho um mendigo paralítico e desprezado por todos, o tomou afetuosamente aos ombros e o deixou na igreja. Claro que esse gesto foi de grande de caridade, sensibilizou os povos e os encheu de admiração; mas, depois deste ato, Santo Eduardo não abandonou nem a realeza nem as riquezas que possuía. São Pedro Damião diz que Jesus esconde a sua púrpura, quer dizer, a sua majestade divina, sob a aparência de um pobre operário. São Gregório Nazianzeno escreve: Aquele que dá aos ricos as suas riquezas escolheu para si mesmo a pobreza, a fim de nos alcançar, pelos seus méritos, não os bens miseráveis e perecíveis da terra, mas os bens celestes que são imensos e eternos.
Santa Teresa de Calcutá, fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade nos ensina: A pobreza do nosso Salvador é ainda maior que a do animal mais pobre deste mundo: “as raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Esta era a realidade. Não tinha uma casa sua, não tinha morada fixa. Os Samaritanos tinham-no expulsado e teve de procurar abrigo (Lc 9,53). Tudo era incerto: o alojamento, a alimentação. Tudo aquilo de que se servia era esmola dos outros. Isto é realmente a grande pobreza; e como é tocante quando sabemos que Ele é o Deus-Homem, o Senhor do céu e da terra, e tudo o que podia ter possuído! Mas ao mesmo tempo é isso que torna a sua pobreza esplêndida e rica, no sentido em que se trata de uma pobreza voluntária, escolhida por amor a nós e com a intenção de nos enriquecer (cf 2Cor 8,9). Somos abençoados ao ser chamados a partilhar, à nossa maneira modesta, a imensa pobreza deste grande Deus. Estremecemos de alegria perante esta magnífica errância que é a nossa vida. Não erramos, mas cultivamos o espírito do abandono. Não possuímos nada para viver e, no entanto, vivemos com esplendor; nada sobre que avançar e, no entanto avançamos sem medo; nada em que nos apoiarmos e, no entanto apoiamo-nos em Deus com confiança porque somos dele e Ele é o nosso Pai previdente.
No livro do profeta Amós vemos a denúncia da perversão provocada pela ganância, que faz perder o respeito devido às pessoas, transformadas em meios para alcançar determinados lucros. “Vendem o justo por dinheiro e o pobre, por um par de sandálias”. A campanha da fraternidade de alguns naos atrás versava sobre o tráfico humano e nos alertava sobre isto. A pessoa humana, criada à imagem de Deus, torna-se artigo de troca, é reduzida à escravidão por causa de um lucro miserável. Amós também denuncia o desprezo da mulher, vítima de imoralidade sexual, talvez até por questões de dinheiro e de lucro. Violar uma jovem é culpa grave, porque também Deus é ofendido, e o seu nome profanado.

Rezemos com o Salmista: Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus, para que eu não arrebate a vossa vida, sem que haja mais ninguém para salvar-vos! Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Am 2,6-10.13-16
Salmo: 49
Evangelho: Mateus 8,18-22

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