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Ano Par › 26/02/2018

Segunda 2ª. Semana da Quaresma

Amados irmãos e irmãs27751881_1587868877964998_1076473648018150781_n

“Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”. Em todas as casas de nossa comunidade está escrito na lousa este versículo que conclama a cada um dos membros de nossa fraternidade a ser misericordioso. O nosso carisma é: Ser sinal da misericórdia do Pai no mundo de hoje. Nós ensinamos aos nossos filhos espirituais que onde quer que eles estejam às pessoas precisam notar algo diferente, notar esta misericórdia através de suas palavras e ações.
Nos tempos atuais a paciência que nos falta em várias situações é sinal da nossa falta de misericórdia para com aqueles que não podem ou não conseguem acompanhar nosso ritmo. Quando o erro é do outro olhamos com lupa e quando é nosso usamos binóculo ao contrário.
Que imagem de Deus nós estamos transmitindo para as pessoas: um Deus amoroso e misericordioso ou em um Deus intolerante e implacável? Não responda com palavras, pois é o nosso proceder no dia a dia que responde esta questão.
Recalcada significa socada vejam o exemplo do pó de café: se você despejar pó de café em uma vasilha esta se enchera rapidamente; porém se você recalcar (socar) vai caber quase outro tanto de pó e esta é a medida de misericórdia que Jesus quer, ou seja, que transborde.
Se assim medirmos assim também seremos medidos e isto quer dizer que a nós será delegado o mesmo tratamento que nós tivermos delegado aos outros
Engraçado e triste ao mesmo tempo é que nos quando estamos na comunidade disfarçamos a nossa raiva, impaciência e intolerância com o outro, mas fora da Igreja por vezes mostramos as garras.
Quem ama é movido pela misericórdia e sua recompensa é o próprio amor.
Misericordioso é aquele que está sempre disposto a perdoar, que aceita e entende as limitações do outro. A este o Pai usará da mesma medida, ou seja, pela misericórdia do Pai não serão condenados.
O profeta Daniel diz ao povo de Israel e a nós hoje que recusamos ouvir a voz do Senhor, nosso Deus; não seguimos as leis que ele nos oferece pela boca de seus servos, os profetas. Nós pecamos, prevaricamos, cometemos maldade e isto para nós é motivo de vergonha.
Quando tanto se fala em escândalos da Igreja esta leitura deve servir de alento para aqueles que causam esta vergonha.
O beato papa João Paulo II, papa Encíclica “Dives in Misericordia” § Jesus Cristo ensinou que o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a ter misericórdia para com os demais. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). O amor misericordioso, nas relações recíprocas entre os homens, nunca é um ato ou um processo unilateral. Mesmo nos casos em que tudo pareceria indicar que apenas uma parte oferece e dá, e a outra mais não faz do que aceitar e receber, de fato, também aquele que dá é sempre beneficiado.
Neste sentido, Cristo crucificado é para nós o modelo, a inspiração e o incitamento mais nobre. Baseando-nos neste impressionante modelo, podemos, com toda a humildade, manifestar a misericórdia para com os outros, sabendo que Cristo a aceita como se tivesse sido praticada para com Ele próprio (Mt, 25,34ss). Ela é realmente um ato de amor misericordioso só quando, ao praticá-la, estivermos profundamente convencidos de que ao mesmo tempo nós a estamos a receber, da parte daqueles que a recebem de nós. Se faltar esta bilateralidade e reciprocidade, as nossas ações não são ainda autênticos atos de misericórdia. Não se realizou ainda plenamente em nós a conversão, cujo caminho nos foi ensinado por Cristo com palavras e exemplos, até à Cruz, nem participamos ainda completamente da fonte magnífica do amor misericordioso que nos foi revelada por Ele.
A misericórdia autenticamente cristã é a mais perfeita encarnação da igualdade entre os homens e, por conseguinte, também a encarnação mais perfeita da justiça. Enquanto a igualdade introduzida mediante a justiça se limita ao campo dos bens objetivos e extrínsecos, o amor e a misericórdia fazem que os homens se encontrem uns com os outros naquele valor que é o próprio homem, com a dignidade que lhe é própria. A misericórdia torna-se, assim, elemento indispensável para dar forma às relações mútuas entre os homens, num espírito de profundo respeito. O amor misericordioso é, sobretudo indispensável entre os que são mais próximos: os cônjuges, os pais e os filhos, os amigos; e é de igual modo indispensável na educação e na pastoral.
Na leitura de Daniel o profeta se volta para Deus relendo a história: à infidelidade do povo segue o castigo. O profeta pergunta a Deus: Até quando? A confissão e o arrependimento do profeta não o levam ao desesperar, mas a esperar o perdão divino; afinal o Deus de Israel é fiel e benevolente, lento para a ira e rico de misericórdia.

Rezemos com o Salmista: Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quando a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Daniel 9,4b-10
Salmo: 79
Evangelho: Lucas 6,36-38

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