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História dos Santos › 01/06/2018

SÃO JUSTINO

1 Justin_Ding6x8SÃO JUSTINO

Justino buscou com aquilo que ele tinha a verdade. Ele tinha essa sede e providencialmente pôs em sua vida um ancião que se aproximou dele para falar sobre a filosofia. E ele apresentou o ‘algo mais’ que faltava a Justino. Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco.
Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente.
Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia.

Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva. Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio.

Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália.

São Justino soube mostrar onde estava a grandeza da fé cristã, em comparação com todos os pensamentos e ideologias em voga: “Porque – diz – ninguém acreditou em Sócrates a ponto de dar a vida pela sua doutrina; mas creram em Cristo não só os filósofos e homens cultos, mas também artesãos e pessoas totalmente ignorantes, que souberam desprezar a opinião do mundo, o medo e até a morte”. O próprio Justino morrerá mais tarde em testemunho da sua fé. O Senhor pede-nos a mesma firmeza em qualquer situação em que nos encontremos, mesmo que tenhamos de enfrentar vez por outra um ambiente completamente adverso à doutrina de Cristo.

“Um fogo então acendeu se em minha alma; fui invadido pelo amor aos profetas e por aqueles que haviam amado a Cristo. Refletindo sobre as suas palavras, concluí que somente esta era a filosofia verdadeira e útil”. (São Justino)

Das Atas do martírio de São Justino e dos seus companheiros.
(Cap. 1-5: cf. PG 6, 1566-1571) (Sec. II).
Abracei a doutrina verdadeira dos cristãos
Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: Primeiramente, manifesta a tua fé nos deuses e obedece aos imperadores. Justino respondeu: Não podemos ser acusados nem presos por obedecer aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Rústico perguntou: Que doutrinas professas?. Justino disse: Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos, embora ela não agrade àqueles que vivem no erro.

O prefeito Rústico inquiriu: Que verdade é essa? Justino explicou: Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único criador, desde o princípio, e artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis; e adoramos o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de quem foi anunciado pelos Profetas que viria ao gênero humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias, que previamente anunciaram Aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os Profetas que vaticinaram a sua vinda para o meio dos homens.
Rústico perguntou: Portanto, tu és cristão? Justino confirmou: Sim, sou cristão.

O prefeito disse a Justino: Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado estás convencido de que subirás ao Céu? Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservado a recompensa de Deus até ao fim dos séculos.

O prefeito Rústico perguntou: Então, tu supões que hás de subir ao Céu, para receber algum prêmio em retribuição? Justino disse: Não suponho, sei-o com toda a certeza.

O prefeito Rústico retorquiu: «Bem, deixemos isso e vamos à questão de que se trata, à qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses. Justino respondeu-lhe: Não há ninguém que, sem perder a razão, abandone a piedade para cair na impiedade.

O prefeito Rústico continuou: «Se não fizerdes o que vos é mandado, sereis torturados sem compaixão». Justino disse: Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofremos por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento garante-nos a salvação e dá-nos confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu.

E os outros mártires disseram o mesmo: Faz o que quiseres; porque nós somos cristãos e não sacrificamos aos ídolos.

O prefeito Rústico pronunciou então a sentença, dizendo: Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer à ordem do imperador sejam flagelados e conduzidos ao suplício, segundo as leis, para sofrerem a pena capital. Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o lugar do costume; e ali foram decapitados e consumaram o seu martírio, dando testemunho da fé no Salvador.

São Justino, rogai por nós!

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