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Ano Par › 17/12/2016

Sábado – 3ª. Semana do Advento

15439858_1165639246854632_8042721440161313920_nAmados irmãos e irmãs
“… Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”.
Se até agora neste advento refletíamos sobre a segunda vinda, a partir deste dia 17 de dezembro entramos na reflexão de como ocorreu a primeira vinda de Jesus.
Para os antigos a genealogia era muito importante, pois ela inseria a pessoa no tecido social e histórico. Mateus fez a origem de Jesus remeter a Abraão com a finalidade de mostrar que ele é plenamente membro do povo de Israel; pois a Abraão foi prometida a bênção de Deus que atingiria a todas as nações (cf. Gn 12,3).
Repassando a lista de nomes, encontramos todo tipo de pessoas: santas e pecadoras, nobres e pobres, judeus e estrangeiros, homens e mulheres e aqui há que destacar que apenas cinco mulheres aparecem na lista; ou seja, quatro pecadoras e uma toda santa:
Tamar a incestuosa: Uma Cananéia, estrangeira que teve filho com o seu próprio sogro, Judá (cf. Gn 38,1-30).
Raab a prostituta: Era uma prostituta, mas que protegeu os espiões israelitas que tornou possível a conquista de Jericó (Josué 2-6).
Rute/Ruth que aplicou o golpe da barriga: Foi outra estrangeira, uma moabita, uma pagã que se relacionou com Booz cujo resultado foi o nascimento de uma criança que seria o avô do Rei Davi (RT 4-12).
Betsabé a adúltera: É a vítima da luxúria de Davi (mulher adúltera de Davi), e mãe de Salomão, sucessor de Davi na monarquia 2Sm 11).
Finalmente Maria a toda santa, pura e concebida sem pecado.
Esta genealogia nos mostra que o Filho de Deus se encarnou plenamente na história humana, Ele não é um extraterrestre. Ele pertence com pleno direito à família humana.
O evangelho quer nos mostrar que Jesus o Filho de Davi é o Filho de Deus, o Emanuel. Para explicar que Jesus é o Filho de Deus, na genealogia a palavra “GERAR”: “Abraão gerou… Jacó gerou… Judá gerou… e assim por diante”. A palavra “gerar” na linguagem bíblica significa transmitir não apenas o próprio ser, mas também a própria maneira de ser e de comportar-se. O filho é a imagem do pai. Por esta razão, a genealogia se interrompe bruscamente no versículo16 para dizer que José não é o pai natural de Jesus, mas apenas é o pai legal: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”.
O papa Francisco na Encíclica Lumen fidei / A luz da fé, §§8-9 nos fala: Abraão, nosso pai na fé: A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um fato impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, se revela como um Deus que fala e chama-o pelo seu nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um carácter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contato com o homem e de estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama pelo nosso nome.
Esta Palavra comunica a Abraão um chamamento e uma promessa. Contém, antes de tudo, um chamamento a sair da própria terra, um convite a abrir-se a uma vida nova, o início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado (Gn 12,1). A perspectiva que a fé vai proporcionar a Abraão estará sempre ligada a este passo em frente que ele tem de dar: a fé «vê» na medida em que caminha em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus.
Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf Gn 13,16; 15,5; 22,17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um ato de memória; contudo esta memória, sendo memória de uma promessa, torna-se capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim, está intimamente ligada à esperança.
A nossa árvore genealógica física é a iniciada em Adão, mas pela graça de Deus nossa árvore genealógica de nossa vida espiritual se iniciou com o nosso pai na fé: Abraão; para se tornar plena em Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo que se encarnou assumindo nossa humanidade!
Na leitura do Livro do Gênesis vemos que Jacó profetiza a Judá que os seus irmãos iriam louvá-lo até que viesse aquele a quem pertence por direito, e a quem todos os povos devem obediência.
Rezemos com o Salmista: Nos seus dirás a justiça florirá e a paz em abundância, para sempre. Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres. Seja bendito o seu nome para sempre! Todos os povos serão nele abençoados e todas as gentes cantarão o seu louvor! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Gênesis 49, 2.8-10
Salmo: 71/72
Evangelho: Mateus 1,1-17

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