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Ano Par › 16/06/2018

Sábado – 10ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs

“… não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés…” A impressão que fica quando uma pessoa começa a jurar é que nem ela mesma confia no que está falando. Por este motivo fica invocando a vida dos filhos, o emprego, a saúde e até Deus. Você com certeza já ouviu esta famigerada frase: Te juro pela minha vida, por tudo que há de mais sagrado, quero que meu filho morra se não for verdade, etc.
Jesus vê hoje nos diz que o nosso sim seja sim e o nosso não seja não. Um cristão deve ter credibilidade não só na comunidade cristã, mas principalmente fora dela e o que vai afiançar suas palavras é o seu testemunho de vida e não juramentos a torto e a direita. Aliás, o bom cristão não deve fazer este tipo de juramento.
Sinceridade e transparência são palavras chave para afastar de nós os juramentos, sejam eles falsos ou verdadeiros; pois perguntamos se é mentira então o juramento será falso (pecado) e se é verdade para que jurar?
Lembro aqui da passagem em que Jesus pergunta a Pedro: “Simão filho de João tu me amas”? Pedro respondeu e Jesus foi repetindo a mesma pergunta. Diante da insistência Pedro poderia ter achado que não convenceu o mestre, mas não consta que ele Pedro tenha jurado por alguma coisa para convencer Jesus; ele simplesmente disse: “Senhor tu sabes tudo”! Respondamos como Pedro ao invés de ficar jurando em qualquer circunstância.
Também a exemplo de Maria quando deu o seu SIM ao anjo Gabriel, não consta que ela tenha jurado para fingir que aceitou. Vejamos o que diz padre Pio a este respeito: “Não sabes o que a obediência é capaz de produzir: com um sim, com um simples sim – Faça-se em mim segundo a tua palavra –, Maria torna-se Mãe do Altíssimo”.
Ao fazê-lo, declara-se sua serva (Lc 1,38), mantendo embora intacta a sua virgindade, que tão cara era a Deus e aos seus próprios olhos. Com este sim de Maria, o mundo obtém a salvação, a humanidade é resgatada. Tratemos então, nós, de também fazer a vontade a Deus e de dizer sempre que sim ao Senhor. Que Maria te faça florir na alma virtudes sempre novas e que vele por ti. Ela é o mar que temos de atravessar para alcançarmos as margens dos esplendores da aurora eterna; mantém-te, portanto sempre perto dela. Apoia-te na cruz de Cristo, como fez Maria, e nela encontrarás grande conforto. Maria permaneceu de pé junto do seu filho crucificado (Jo 19,25). Nunca Jesus a amou tanto como nesse momento de inexprimível sofrimento.
Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja nos escritos “O espírito e a letra”, §§27-33 nos ensina: A graça permaneceu velada no Antigo Testamento, mas foi revelada no Evangelho de Cristo quando chegaram os tempos previstos por Deus para a revelação da sua bondade. Comparando estas duas épocas, notamos uma diferença profunda. No sopé do Sinai, o povo, tomado de pavor, não ousava aproximar-se do local onde Deus dava a sua lei (Ex 19); enquanto no cenáculo, o Espírito Santo desceu sobre aqueles que estavam reunidos aguardando a realização da promessa (At 2). Ali, o dedo de Deus trabalhou em tábuas de pedra (Ex 31,18); aqui, no coração dos homens (Lc 11,20). A realização perfeita da lei é o amor (cf Mt 5,17). Esse amor de caridade não estava escrito nas tábuas de pedra, mas derramou-se nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5). Portanto, a lei de Deus é a caridade (Rm 13,10). O desejo da carne não se submete à lei de Deus; nem sequer é capaz disso (cf Rm 8,17); para reprimir o desejo da carne, foram escritas as obras de caridade nas tábuas de pedra; era a lei das obras, a letra que mata aqueles que praticam o mal. Mas, quando a caridade se espalhou no coração dos crentes, apareceu a lei da fé e o Espírito que dá a vida aos que amam. Vede como a diferença entre essas duas leis se conjugam perfeitamente com as palavras do apóstolo Paulo: É evidente que sois uma carta de Cristo, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, que são os vossos corações (2Cor 3,6.5). E tudo isso é admiravelmente confirmado pelo profeta Jeremias: Dias virão em que firmarei uma nova aliança com a casa de Israel e a casa de Judá – oráculo do Senhor. Não será como a Aliança que estabeleci com seus pais. Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração (cf Jr 31,31s).
Na leitura do primeiro livro dos Reis vemos que Eliseu é chamado a ser profeta, quando está trabalhando no campo; quando julgar que não é digno lembre-se que Deus chama profetas de todas as origens e condições sociais. Eliseu dá testemunho de uma opção radical por Deus, quando larga os bois e o arado, o trabalho e a família, para seguir Elias. Diante disto peçamos a Deus que nos mostre quais são nossos “bois e arados” dos quais não conseguimos largar para seguir Jesus.

Rezemos com o Salmista: Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Rs 19,19-21
Salmo: 15 
Evangelho: Mateus 5,33-37

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