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Ano Par › 24/05/2018

Quinta Feira – 7ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs

“Quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa. Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar”!
Escândalo: É tornar público um ato que fere física ou moralmente a dignidade de um ser humano. Segundo os costumes do império romano, este ato se dava quando se praticava crime hediondo contra as crianças ou quando se enganava pessoas puras e humildes. A pedra de moinho era utilizada e era uma forma terrível de morrer.
É muito comum ouvirmos que isso ou aquilo é escandaloso e, normalmente, quando isso acontece, o fato está relacionado com questões de dinheiro e sexualidade. O escândalo é muito mais do que isso. Dar escândalo significa ser ocasião de pecado para as outras pessoas, independentemente da natureza ou da forma do pecado.
A alusão à queda dos pequenos é uma advertência àqueles que na comunidade buscam a vaidade e o poder e chocam aqueles que se aproximam com a esperança de encontrar amor e fraternidade. Se antes era simples, humilde e andava com os pobres agora já não mais é visto entre os pequenos e não mais confia na oração, etc.
As alusões aos membros cortados são exageros literários (hipérboles). Quando você faz um curso bíblico você vai aprender isto e no nosso dia a dia fazemos isto (não tinha ninguém para dizer poucas pessoas, tinha mais 5 mil para dizer muita gente,1001 utilidades para dizer muitas utilidades, etc.). Não é para interpretar literalmente, leitura fundamentalista, pois se assim fizermos poucos ou talvez nenhum escapará de ter o olho furado, a mão cortada ou o pé amputado e aí seríamos uma Igreja de coxos, manetas e cegos.
Este cortar membros pode indicar também a exclusão de membros da comunidade (do corpo) que provocam escândalos. Por ex. Se um padre, um diácono, um ministro da Eucaristia ou alguém do canto é motivo de escândalo e sendo exortado não quer mudar é preferível cortá-lo, excluí-lo da comunidade do que permitir que ele fique provocando escândalo.
Jesus nos mostra a importância que devemos dar aos nossos atos, para que eles sejam testemunho da nossa adesão ao Reino de Deus e não uma negação da nossa adesão que tenha como consequência o afastamento das pessoas.
O sal é bom desde que na medida certa, nem para mais e nem para menos. Isto quer dizer que não devemos exigir muito dos que estão se iniciando na fé, mas também não podemos relaxar e permitir tudo. Ser intransigente e impaciente é meio caminho andado para cometer injustiça. Vejam por exemplo se uma mãe não tivesse paciência para ensinar seu filhinho a andar, ele poderia ficar traumatizado e mesmo que viesse a andar este trauma iria lhe acompanhar para o resto de sua vida. Assim também acontece quando queremos que as pessoas aceitem o projeto do reino de Deus e o fazemos por intermédio de ameaças do tipo: vais queimar no inferno, vai ser amaldiçoado, etc. Imaginem um namorado que querendo casar ameaça de morte a noiva e esta casa por medo de morrer, com certeza este casamento além de nulo será infeliz. Assim também acontece com as pessoas que aceitam Jesus de maneira forçada ou a busca de outros favores.
É preciso muita cautela para não fazer com que os recém-convertidos trilhem por caminhos que não são os de Jesus Cristo e da sua Igreja; pois se assim agirmos nós é que estaremos sendo causa de tropeço e isto nos será cobrado.
O Papa Francisco na Audiência geral de 12/6/2013 disse: “ Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros”. Qual é a lei do Povo de Deus? É a lei do amor, amor a Deus e amor ao próximo, segundo o mandamento novo que o Senhor nos deixou (cf Jo 13,34 Mt 22,37-40), o reconhecimento de Deus como único Senhor da vida e, ao mesmo tempo, o acolhimento do outro como verdadeiro irmão, superando divisões, rivalidades, incompreensões e egoísmos; são dois elementos que caminham juntos.
Que missão tem este povo? A missão de levar ao mundo a esperança e a salvação de Deus: ser sinal do amor de Deus que chama todos à amizade com Ele; ser fermento que faz levedar toda a massa, sal que dá sabor e que preserva da corrupção, ser luz que ilumina. Ao nosso redor, a presença do mal existe, o Diabo age. Mas gostaria de dizer em voz alta: Deus é mais forte! Porque Ele é o Senhor, o único Senhor! E gostaria de acrescentar também que a realidade às vezes obscura, marcada pelo mal, pode mudar se formos os primeiros a transmitir a luz do Evangelho, principalmente através da nossa própria vida.
Estimados irmãos e irmãs, ser Igreja, ser Povo de Deus, segundo o grande desígnio de amor do Pai, quer dizer ser o fermento de Deus nesta nossa humanidade significa anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de respostas que animem, que infundam esperança e que deem um vigor renovado ao caminho. A Igreja seja lugar da misericórdia e da esperança de Deus, onde cada qual possa sentir-se acolhido, amado, perdoado e encorajado a viver em conformidade com a vida boa do Evangelho. E para fazer com que o outro se sinta acolhido, amado, perdoado e encorajado, a Igreja deve manter as suas portas abertas, a fim de que todos possam entrar. E nós temos de sair através de tais portas e anunciar o Evangelho.
Na leitura da carta de são Tiago encontramos um solene aviso aos ricos que são cada vez mais ricos fazendo dos pobres cada vez mais pobres. É um dos tons mais duros encontrados na Bíblia para falar da riqueza e da relação entre pobres e ricos. Tiago diz que suas riquezas estão podres, as suas vestes comidas pela traça e o seu ouro e a sua prata enferrujada; mas o pior é que pesa sobre eles o juízo de Deus; pois o clamor contra eles chegou aos ouvidos do Senhor.

Rezemos com o Salmista: Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte; são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta. São empurrados e deslizam para o abismo. Logo seu corpo e seu semblante se desfazem, e entre os mortos fixarão sua morada. Deus, porém, me salvará das mãos da morte e junto a si me tomará em suas mãos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Tiago 5,1-6
Salmo: 48/49
Evangelho: Marcos 9,41-50

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