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Ano Par › 01/09/2016

Quinta Feira – 22ª. Semana Comum

14195915_1059804197438138_4072952175103995092_oAmados irmãos e irmãs
“Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede”.
Que bela confissão de Pedro, ele não foi falso ao assumir que já não acreditava mais. Quantos de nós também precisamos aprender de Pedro e dizer ao Senhor: Eu não acredito mais nesta pessoa, mas por causa da tua Palavra vou acreditar mais uma vez; eu não quero perdoar, mas por causa da tua Palavra perdoarei, eu não quero ir, mas por causa da tua Palavra irei, etc. Trata se de destacar aqui a obediência dos apóstolos ao mestre , exemplo que devemos imitar em todas as situações.
Precisamos urgentemente entender que a missão primeira da Igreja não é a preocupação com si mesma, sua estrutura e seu funcionamento, mas sim anunciar o Evangelho de Cristo e assim se fazer a verdadeira “Barca” onde estão os pescadores de homens.
É preciso lançar as redes para águas mais profundas! Perguntemos em que águas andamos “pescando”; afinal tem muitos preferindo permanecer nos pesque pagues da vida.
Quem sabe assim também nos lançaríamos aos pés de Jesus e diríamos: … sou um homem pecador; e ao mesmo tempo ouviríamos do nosso mestre: Não temas; doravante serás pescador de homens.
O chamado dos quatro primeiros discípulos, André, Pedro, Tiago e João nos faz pensar que eles eram os profissionais da pesca e que o homem Jesus talvez pouco ou nada entendesse de pesca para dar palpites. Quantas vezes também não agimos assim em nossas pastorais ao receber orientação de alguém retrucando com chavões do tipo: quem ele pensa que é; eu fiz curso de especialização, mestrado, doutorado etc.; estou aqui há anos e ele que acabou de chegar já está querendo ensinar o Pai Nosso ao vigário.
O papa Francisco em sua homilia de 14/04/2013 nos diz: O anúncio de Pedro e dos Apóstolos não é feito apenas com palavras; a fidelidade a Cristo toca a sua vida, que se modifica e recebe uma nova direção, e é precisamente com a sua vida que dão testemunho da fé e anunciam a Cristo. Isto vale para todos: o Evangelho tem de ser anunciado e testemunhado. Cada um deveria interrogar-se: como testemunho a Cristo com a minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos para pensar, decidir e viver como cristão, obedecendo a Deus?
É certo que o testemunho da fé se reveste de muitas formas, como sucede num grande afresco que apresenta uma grande variedade de cores e tonalidades; todas, porém, são importantes, mesmo aquelas que não sobressaem. No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu e o meu testemunho pequeno e humilde, incluindo o testemunho oculto de quem vive a sua fé com simplicidade nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos escondidos, uma espécie de classe média da santidade da qual nós todos podemos fazer parte.
Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue. Recordemo-lo bem todos: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e nos vê deve poder ler nas nossas ações aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! Isto me traz à mente um conselho que São Francisco de Assis dava aos seus irmãos: pregai o Evangelho; caso seja necessário, também com as palavras.
São Máximo de Turim, bispo no Sermão 39, nos ensina: Quando o Senhor, sentado na barca, diz a Pedro : Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca, não está propriamente a aconselhá-lo a lançar os instrumentos de pesca, mas a difundir no fundo dos corações as palavras da pregação. São Paulo penetrou neste abismo dos corações, lançando nele a Palavra: Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus! (Rm 11,33). Tal como a rede traz para a barca os peixes que apanhou, assim também a fé conduz ao seu seio, ao repouso, os homens que reuniu.
Na carta de Paulo aos coríntios é interessante notarmos a preocupação do apóstolo com aqueles que querem se gloriar por feitos humanos e por homens ditos sábios. A verdadeira sabedoria para os cristãos tem como símbolo aquilo que para o mundo é loucura, ou seja, a Cruz! Ensina o apóstolo para que ninguém se glorie nos homens por mais sábios, ricos e poderosos que possam ser ou parecer, mas se gloriem no Cristo pois somos Cristo e Cristo é de Deus.
Rezemos com o Salmista: Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação? Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador. Amém.

Reflexão feita pelo diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Cor 3,18-23
Salmo: 23
Evangelho: Lc 5,1-11

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