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Ano Par › 07/02/2018

Quarta feira – 5ª. Semana Tempo Comum

27331568_1569623523122867_6807585422859836814_nAmados irmãos e irmãs
“Ouvi-me todos, e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Na relação com Deus, o moralismo exacerbado é algo abominável, nascido no rigorismo de normas e preceitos, sendo um fardo insuportável que as pessoas vão arrastando vida afora, achando que isso as faz merecedoras da Salvação que Deus oferece.
Os inventores dessas mil “regrinhas” para se conseguir a salvação, se deleitam em ensinar as pessoas a andarem, naquilo que eles têm a coragem de chamar de “caminhos do Senhor”. A Santa Igreja tem o seu Código de Direito Canônico, que tem como objetivo ajudar o cristão membro da Igreja, a viver santamente desfrutando ao máximo da graça e santidade que Jesus oferece, entretanto, não é a pura observância dos cânones, que irá levar alguém a fazer a experiência de Deus em sua vida.
O problema está em que, com tantas regras e normas, muitas vezes inventadas por lideranças religiosas, pastorais, movimentos e associações, abafa-se na vida do cristão aquilo que é essencial, uma relação com Deus a partir do seu íntimo, isso é, a partir do coração, centro de decisão e da Vida.
A hierarquia (Bispo, padre, diácono); os cargos de ministro, coordenador de pastoral ou CAP te dá poder, mas não te dá santidade.
A pregação de que devemos fugir das coisas do mundo e só buscar as coisas de Deus, é perigosamente alienadora, pois agindo nessa linha, tudo aquilo que é humano torna-se profano e portanto, motivo de condenação ao pecador.
Conhecemos a história do deficiente visual, que tocava sanfona para ganhar uns trocados, e o seu repertório, bastante variado, agradava a todas as idades. No final do dia embolsava as doações e ia embora, todo feliz. Sempre alegre e extrovertido, era alguém feliz e que sabia fazer felizes as pessoas. Um dia alguém o levou a uma Igreja cristã e começou o processo de sua conversão, e daí, uma vez convertido, e tendo conhecido Jesus, foi orientado para que não mais tocasse aquelas músicas do mundo, que eram pecaminosas diante de Deus, e assim, o “Ceguinho da Sanfona” como era mais conhecido, mergulhou numa grande tristeza que acabou em depressão.
Os Fariseus eram pessoas muito piedosas, mas havia os “fanáticos” que adoravam impor o cumprimento das normas. É a religião do pode ou não pode.
De que adianta fazer a genuflexão correta, ajoelhar-se para o Santíssimo se não olha para o irmão caído na rua?
De que adianta contribuir com o dízimo integral se faz dez anos que não conversa com seu pai?
De que adianta não faltar a missa em nenhum domingo se tua vizinha está a dois anos na cama e você nunca a visitou?
De que adianta rezar o rosário todo dia se você vive a falar mal de outros agentes de pastoral?
Como é triste quando na comunidade as pessoas são cobradas por alguns, que se julgam justos e Santos, cobra-se conversão, exige-se coerência de vida, retidão de caráter, testemunho de vida, conduta moral irrepreensível, principalmente desprezar e fugir de tudo o que não é sagrado.
Jesus dá um basta a toda essa hipocrisia e coloca uma relação nova com o Pai, não mais a partir da conduta e das aparências, mas sim do coração, fonte do bem e do mal, sendo que o que dele provém é que determina as nossas ações, podendo contaminar com o mal, ou contagiar com o Bem. A partir dessa verdade, ninguém mais poderá ser julgado, uma vez que só Deus tem acesso ao coração humano.
De que adianta não frequentar certos ambientes ou casas, evitar a companhia de certas pessoas, não ler certas revistas, não assistir certos filmes, mas ter o coração cheio de mágoa, rancor, amargura, destilando o veneno da intriga, da desconfiança e da inveja?
No nosso exterior estão os sentidos: Ouvir – Ver – Sentir (tato) – Paladar – Olfato e muitos mais gestos ou atos exteriores como andar, falar, etc. Tudo isto está relacionado com o corpo.
No nosso interior estão os sentimentos: Amor – ira – felicidade – saudade – ódio – alegria – tristeza – paz interior – etc. Os sentimentos brotam do coração…
Na leitura do primeiro livro dos Reis vemos que a rainha de Sabá admirou a sabedoria de Salomão e soube reconhecer que era dom de Deus. Todos nós somos chamados a dar testemunho da grandeza de Deus Todos nós temos a missão de ser profeta, sacerdote e rei. O Senhor nos cumula de sabedoria, de graças e bênçãos. Aquele que usa bem os dons que recebeu do Alto, com certeza acumulará riquezas, tesouros de felicidade aqui na terra.
As pessoas nos procuram porque procuram conhecer a Deus que se manifesta através de nós. Alguém já o procurou atraído pela sua sabedoria, pela sua paz, pelo seu carisma? Se isto não está acontecendo repense seu caminhar!

Rezemos com o Salmista: O justo tem nos lábios o que é sábio, sua língua tem palavras de justiça; traz a aliança do seu Deus no coração, e seus passos não vacilam no caminho. A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1 Reis 10,1-10
Salmo: 36/37
Evangelho: Marcos 7,14-23

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