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Ano Par › 02/05/2018

Quarta Feira – 5ª. Semana da Páscoa

31437453_1670202619731623_6652981698159968256_nAmados irmãos e irmãs

SEM MIM NADA PODEIS FAZER!
O galho (ramo) somos nós e se não produzirmos frutos seremos cortados e jogados fora (perda total – sofrimento eterno); ao passo que se produzirmos fruto também seremos cortados (podados), mas não seremos jogados fora (perda parcial – sofrimento passageiro). Para assim podermos dar mais frutos.
Se Jesus é a videira e o Pai é o agricultor poderíamos dizer que a Igreja é o instrumento de poda que Deus usa, a tesoura, que apara e nos molda conforme a vontade do agricultor.
Quando um galho é cortado, toda árvore sofre, pois a cicatriz fica em seu tronco e sofre também porque vê o galho secar e morrer, pois se desligou da fonte da vida. Nós também quando esquecemos Jesus e tentamos fazer carreira solo devemos lembrar que Ele disse: ”Sem mim nada podeis fazer”!
Isaac da Estrela, monge cisterciense em seu Sermão 16, §§5-8; SC 130 nos ensina que:” Professo todo o respeito pela fiel e pertinente explicação da vinha, enquanto Igreja universal: a vinha como representação de Cristo; os ramos como representação dos cristãos; o agricultor e proprietário como representação do Pai celeste; o dia como representação do tempo na sua totalidade ou da vida do homem; as horas representando as idades do mundo ou do indivíduo; a praça representando a atividade agitada do mundo, ávido de dinheiro.
Pessoalmente, porém, gosto de considerar a minha alma e o meu corpo, isto é, a totalidade da minha pessoa, como uma vinha. Não devo negligenciá-la, mas laborar, trabalhar para que ela não seja abafada por outros ramos ou por raízes alheias, nem incomodada pela profusão de rebentos no seu crescimento natural. Devo moldá-la para que não desenvolva demasiado sarmento, podá-la para que lhe nasçam mais frutos. Devo circundá-la com uma vedação para que não fique à mercê da pilhagem por quem passa na estrada, e, sobretudo para que o javali da selva não a devaste (cf Sl 79,14). Devo cultivá-la com o maior dos cuidados para que a cepa original da vinha escolhida não degenere, para que não se torne uma vinha abastardada, incapaz de alegrar Deus e os homens (cf Sl 103,15) ou talvez suscetível de entristecê-los. Devo protegê-la com acurada vigilância para que o fruto que tanto trabalho custou e que por tanto tempo foi esperado não seja clandestinamente roubado por aqueles que, às escondidas, devoram o infeliz (Hab 3,14), para que não desapareça de repente numa devastação imprevista. Eis porque o primeiro homem recebeu a ordem de cultivar e guardar o Éden como se fosse uma vinha (Gn 2,15).
Jean Tauler, dominicano de Estrasburgo no Sermão 7 para o domingo da Septuagésima nos diz que quando o homem nobre experimenta uma inclinação para possuir Deus, ou a graça, ou uma coisa grande, deve pensar muito pouco no conforto pessoal que isso lhe trará. Os que entregam diretamente a Deus os seus dons corporais e espirituais são os únicos que se tornam capazes e dignos de receber constantemente ainda mais graças. Meus filhos, esses homens são como a madeira da vinha: exteriormente é negra, seca e de pouco valor; para aquele que não a conhece, só é boa para ser lançada ao fogo e queimada; mas por dentro, no coração dessa cepa, escondem-se veios cheios de vida, e a grande força que produz o mais precioso e doce fruto que madeira e árvore alguma jamais carregaram.
Assim são as pessoas que vivem em Deus, e que são as mais amáveis de todas. No exterior, na aparência, são como seres definhados: assemelham-se à madeira negra e seca, pois são humildes e pequenos por fora; não são pessoas de grandes frases, de grandes obras e grandes ações; não têm uma aparência notável e, em sua própria opinião, em nada brilham. Mas aquele que conhecer a veia plena de vida que tais pessoas têm no seu fundo, onde pela própria natureza renunciam ao que são, onde Deus é a sua herança e o seu suporte, que felicidade tamanha lhe trará tal conhecimento!
A leitura do livro dos Atos dos apóstolos nos mostra a Igreja primitiva a caminho do primeiro concílio. Faz-nos lembrar de certas ocasiões em que pessoas de fora chegam à comunidade e expõe suas idéias sem levar em consideração o que aquela comunidade está vivendo. No caso da Igreja primitiva a questão era circuncidar ou não os neoconvertidos. Até que ponto a circuncisão era indispensável para a salvação das almas?
Neste processo doloroso Paulo toma frente para que não haja retrocesso; pois o que salva é a redenção trazida por Cristo e não obras.
Hoje devemos olhar o essencial na Igreja, ou seja, o encontro pessoal com Jesus, sua Palavra e seu Corpo e Sangue que nos leva a conversão e a luta pelo seu Reino de amor e Justiça.
Não nos apeguemos a questões menores como, por exemplo, se o vaso sagrado é de ouro ou de bronze (isto não é mais importante do que o seu conteúdo que é a Eucaristia). Se o paramento é assim ou assado; pois o mais importante é o poder pelo qual o ministro está revestido e não suas vestes.

Rezemos com o Salmista: Que alegria quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 15,1-6 
Salmo: 122 
Evangelho: João 15,1-8

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