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Ano A › 10/04/2017

Domingo de Ramos

17799278_1278551602230062_7335310742499813056_nAmados irmãos e irmãs
Hoje iniciamos a Semana Santa onde vivemos intensamente os mistérios centrais da redenção: paixão, morte e ressurreição de Jesus. Lemos dois evangelhos: um antes de começar a procissão e outro na liturgia normal. O primeiro ressalta Cristo Senhor e Rei e sua entrada triunfal na Cidade Santa, a Nova Jerusalém que acolhe o seu Senhor com júbilo; e o segundo fala da paixão que leva a vitória. As palmas bentas não devem ser objetos de amuletos e superstições, mas sim nos ajudar a lembrar o Cristo mártir, condenado e executado por homens, para garantir a estes mesmos homens a vida eterna.
No relato da paixão destacamos que somente Mateus cita o sonho da mulher de Pilatos (cf. Mt 27,19) e a lavagem das mãos por parte do procurador romano (cf. Mt 27,24); como que indicando que os próprios romanos reconhecem que Jesus é inocente e que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus.
Também somente Mateus fala do véu do Templo que se rasgou; da terra que tremeu dos túmulos que se abriram e dos corpos de santos que tinham morrido e ressuscitaram saindo do sepulcro. Finalmente, só Mateus também narra o episódio da “guarda” do sepulcro (cf. Mt 27,62-66).
Jesus é o inocente condenado injustamente à morte pela inveja que afetou e ainda afeta o coração humano. Dominado pela inveja, o ser humano age perversamente e busca eliminar quem quer que seja. Mas ao lado dos invejosos se juntam Pilatos que mesmo sabendo da inocência nada faz, pois coloca razões políticas e interesses particulares acima de tudo.
Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objetivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”.
O Oficial viu a revelação do Amor de Deus, naquele Homem que se entregou livremente, porque o verdadeiro amor não é aquele que domina, mas aquele que se deixa dominar, o verdadeiro amor pressupõe uma entrega total. O verdadeiro amor se aniquila e se deixa esmagar, tornando-se alicerce.
Assim como este oficial romano vamos contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, vamos assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos e privados de direitos e dignidade ; e neste ano de um modo especial olhemos para as vítimas do tráfico humano que também são inocentemente crucificadas a cada dia.
Na primeira leitura do livro do profeta Isaías o texto dá a palavra a um personagem anônimo, que fala do seu chamamento por Deus para a missão, a missão que recebe de Deus tem a ver com o anúncio da Palavra. O profeta é o homem da Palavra, através de quem Deus fala. Vemos que a missão profética se concretiza no sofrimento e na dor.
Na segunda leitura da carta de são Paulo aos Filipenses o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida.
Rezemos com o Salmista: Meu Deus, meu Deus porque me abandonastes! Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembléia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o, toda a raça de Israel!

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Isaías 50,4-7
Salmo: 21
2ª. Leitura: Filipenses 2,6-11
Evangelho: Mateus 27,11-54

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