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Ano B › 03/06/2018

9º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs

“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado; e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado.”
Os moralistas da época de Jesus são os mesmos de hoje, ou seja, aqueles que ficam de olho na vida das pessoas, quem são e o que fazem não para ajudá-las em suas necessidades, mas sim para poder condená-las. Imaginem vocês aquele agente de pastoral que por uma infelicidade caiu em desgraça e depois retorna a Igreja para falar com o padre. É neste momento que muitos outros aparecem e dizem: “agora quero ver se o padre vai aceitar de novo … e por aí vai”.
Jesus sempre coloca a dignidade das pessoas acima de qualquer coisa, mas, no entanto muitos parecem que são proprietários desta misericórdia e além de querer racionar muitas vezes a negam em nome de Jesus; o que é muito pior. O irmão pede perdão e aquele que deve perdoar se faz de rogado, de importante e aproveita para humilhar aquele que mendiga perdão. Pessoas que agem assim dentro da Igreja devem fazer muito pior fora e o que as leva a agir desta forma não é a observação do preceito, mas sim a dureza de coração.
Falamos com a língua que estamos em Cristo, mas nós ações nos desmentem na medida em que não somos capazes sequer de perdoar. Jesus diz ao homem da mão seca: “Vem para o meio.” Como é bela e significativa esta frase; nosso Deus não exclui, Ele nos convida a entrar na roda, na ciranda da vida. Ainda hoje mais do que nunca Jesus Cristo coloca a Vida e a dignidade das pessoas acima de qualquer lei ou interesse e continua a incomodar a muitos que querem “matá-lo” no coração das pessoas, no seio da família e até nas comunidades.
Davi e seus companheiros tiveram fome e entraram na casa de Deus, e comeram dos pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer.Poderíamos diante deste Evangelho colocar também como tema central a fome. Quantos hoje não passam fome por causa de normas e regras. Na comunidade nós acolhemos peregrinos dos mais diversos lugares e que aqui chegam necessitando de uma passagem rodoviária para seguir viagem; mas antes um bom banho, um prato de comida e uma cama para repousar. Jesus neste Evangelho estava na mesma situação de peregrino e por ser sábado ninguém preparava comida (tinham preparado na véspera).
Nós na Comunidade Missionária Divina Misericórdia evitamos ao máximo colocar exigências antes de atender as necessidades básicas. Muitas pessoas nos criticam dizendo que estamos alimentando “vagabundo”; que antes de darmos comida deveríamos ver os documentos, a cidade de onde é, etc. Nós preferimos ficar com Jesus para quem o homem estava acima destas questiúnculas.
Os fariseus eram tão legalistas quanto à questão sabática que parecem nem ter se preocupado com a questão de quem era o proprietário da lavoura de milho. Esqueceram-se da fome e da propriedade da lavoura para ferrenhamente criticar Jesus e os apóstolos por causa da observância do sábado.
Hoje parece não ser muito diferente quando vemos milhares de pessoas na África (Etiópia e Somália) e em outros lugares morrerem de fome enquanto os fariseus modernos se reúnem no ar condicionado da ONU (Organização das Nações Unidas) para decidir como enviar alimentos; a burocracia emperra tudo e olha que não precisamos ir longe; pois somos testemunhas oculares das milhares de toneladas de grãos (feijão, arroz, milho, soja, etc.) que estragam (caruncham) nos galpões da famigerada CONAB(Companhia Nacional de Abastecimento); enquanto sabemos que no sertão nordestino tem muita gente comendo fubá com água.
São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja em suas Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, n° 39 nos ensina: A lei do sábado era, no início, da maior importância, pois ensinava os judeus a serem pacíficos e cheios de humanidade para com o seu próximo; a crerem na sabedoria e na providência de Deus Criador. Quando Deus lhes deu a lei do sábado, fê-los compreender que apenas queria que eles se abstivessem de todo o mal: No decurso desse dia, não realizareis trabalho algum, salvo a preparação do alimento para todos (Ex 12,16 LXX). No Templo, havia mais trabalho nesse dia santo do que nos outros dias. Deste modo, a sombra da Lei preparava a luz da verdade plena (cf Cl 2,17).
Cristo teria então abolido uma lei tão útil? De modo nenhum: levou-a ainda mais longe. Deixara de ser necessário ensinar deste modo que Deus era o Criador de tudo o que existe, e formá-los na amabilidade para com os outros, pois eram agora convidados a imitar o amor de Deus pelos homens segundo esta palavra: Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36). Deixara de ser necessário fixar um dia de festa para aqueles que eram convidados a fazer da sua vida uma festa: Celebremos a festa, escreve o apóstolo Paulo, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade (1Cor 5,8).
Que necessidade havia de uma lei do sábado para o cristão, que passa sua vida numa celebração contínua e sempre a pensar no céu? Sim, irmãos, celebremos este sábado celeste e contínuo.
Na 1ª. leitura do livro do Deuteronômio vemos que o dia de sábado é para ser santificado e consequentemente nos santificar. É dia de descanso para estar com Deus e óbvio que com aqueles aos quais amamos. Nós cristãos guardamos o domingo, dia do Senhor, para que possamos ir à missa e também ficar com nossa família, descansar e passear e isto significa saborear as maravilhas do Senhor.
Na 2ª. leitura da segunda carta de Paulo aos Coríntios temos um belíssimo trecho que diz: “Em tudo somos oprimidos, mas não esmagados; andamos perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados”. Assim devemos ser, assim é o cristão verdadeiro que sabe entender os sofrimentos da vida presente e entende que não se pode comparar com a glória que há de vir. Nós trazemos em vasos de barro o grande tesouro que é nossa missão, para que se reconheça que um poder tão sublime vem de Deus e não de nós.

Rezemos com o Salmista: Aliviei os teus ombros do fardo e soltei as tuas mãos dos cestos; gritaste na angústia e Eu te libertei. Não terás contigo um deus alheio, nem adorarás divindades estranhas. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Dt 5, 12-15 
Salmo: 81
2ª. Leitura: 2 Cor 4, 6-11
Evangelho: Mc 2, 23 – 3, 6 ou a breve Mc 2, 23-28

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