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Ano C › 30/04/2016

6º Domingo de Páscoa – Ano C

REFLEXÃO – 6º Domingo de Páscoa – Ano C – 01/05/2016

Amados irmãos e irmãs

Guardar a Palavra? Se levarmos ao pé da letra a expressão guardar a palavra poderemos imaginar de trancar a Bíblia em um cofre de segurança máxima; podemos imaginar de gravar em CD, DVD ou em um pen drive e também armazenar em local seguro com senhas mil, etc. Mas não é ao pé da letra ou literalmente que se deve olhar para os ensinamentos de Jesus e é para isto que existe o Magistério da Igreja que vem em nosso socorro para dizer que este guardar significa fazer o que Maria fez. Guardava tudo no coração.

Guardar também significa vigiar e zelar para que ninguém a deturpe, para que ninguém acrescente ou retire uma vírgula sequer. Após mais de dois milênios de história, a Sagrada Escritura chegou até nós inalterada e no Segundo Testamento encontramos a experiência das primeiras comunidades, todas surgidas a partir de um único evangelho, de um único testemunho apostólico e pelo qual muitos deram a vida.

Como está a nossa relação com a Palavra de Deus? Uns escandalizam; outros admiram; outros rejeitam; outros são indiferentes; outros tentam adaptar a palavra ao seu interesse; outros a deturpam; outros são infiéis no anuncio; na divulgação e na vivência da Palavra.

“A teoria é uma coisa, a prática é outra”; com certeza você já ouviu esta frase e ela muito bem pode ser aplicada ao Evangelho de hoje que nos ensina que vivemos um amor teórico porque encaramos a religião como teoria. Imaginem uma pessoa que estuda toda teoria de como ser um motorista e se torna o maior sábio que conhece tudo sobre como dirigir, trocar marchas, óleo e água do motor; mas este sábio nunca sentou atrás de um volante.
Com certeza ele sabe tudo, mas não podemos dizer que ele saiba dirigir. Assim também acontece com o amor de Deus, pois existem muitas pessoas com mestrado e doutorado que nunca colocaram em prática o amor. Elas só sabem a teoria, mas não tiveram ou não quiseram ter a graça de experimentar.
Muitos batizados não têm mestrado e nem doutorado e também não assumem seu batismo; mas felizmente temos aqueles que como nossa bem aventurada Nhá Chica (brasileira beatificada dia 04 de maio de 2013 em Baependi MG) que sabem com maestria colocar o amor de Deus na sua prática cotidiana. Sabem se deixar conduzir pelo Espírito Santo porque são dóceis e humildes no aceitar a vontade de Deus.

Portanto nós só teremos a graça de praticar este amor se nos abrirmos à ação do Espírito Santo; pois o Espírito Santo é Deus e Deus é amor. E este amor ao próximo, é o sinal de que guardamos a Palavra de Jesus.

O Espírito Santo, dom de Deus, não permite que a palavra de Jesus fique sem sentido ou caia no esquecimento; o Sopro de Deus em nós ensina e recorda tudo o que Jesus disse.

O Espírito Santo ilumina, aprofunda e atualiza as palavras do Filho de Deus. Vejam que no tempo de Jesus nós não tínhamos as ciências tão avançadas e nem tanta tecnologia, logo é o Espírito Santo que nos orienta a trabalhar todas estas questões atuais sem nos desviar dos ensinamentos que Jesus deixou.

Todo aquele que despreza a ação do Espírito Santo é levado por caminhos que contradizem o Evangelho.

Na primeira leitura dos Atos dos apóstolos vemos o primeiro concilio da Igreja onde é narrada a conversão de Cornélio, a atividade de Paulo e Barnabé e o delicado problema da admissão dos pagãos, sem que sejam circuncidados conforme prescrevia a lei judaica. Olhem a beleza desta citação: “Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável…”. Esta advertência soa muito atual quando vemos alguns querendo inventar pecados, impondo às pessoas normas e regras que na verdade acabam por afastá-las do verdadeiro Deus.

Para Deus, o que é decisivo não é a pertença a uma raça ou a um determinado grupo social, mas sim a disponibilidade para acolher. Deus não faz acepção de pessoas. Hoje parece fácil aceitar, mas na prática como estamos acolhendo os irmãos que caminham ao nosso lado; sobretudo nos nossos gestos com aqueles que são considerados ”pecadores”. Será que estamos em uma Igreja sem exclusão, sem marginalização, sem intolerância, sem preconceitos? Esta é uma pergunta para respondermos no dia a dia.

Na 2ª. Leitura do livro do Apocalipse vemos a visão da Jerusalém Celeste fundamentada nos doze apóstolos e nela a única luz que brilha para todos é aquele que é templo e cordeiro ao mesmo tempo. A Igreja na história ainda não é essa comunidade de vida plena; mas apesar do pecado e da limitação humana, tem que procurar ser uma prefiguração dessa comunidade escatológica da salvação, que dá testemunho da utopia.
Rezemos com o Salmista: Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão e guiais, em toda a terra, as nações. Que as nações vos glorifiquem! Que todas as nações vos glorifiquem! Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe e o respeitem os confins de toda a terra! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco

Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia
1ª. Leitura: Atos 15,1-2.22-29
Salmo: 67
2ª. Leitura: Apocalipse 21,10-14.22-23
Evangelho: João 14,23-29

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