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Ano A › 30/04/2017

3º. Domingo da Páscoa

18221856_1302660509819171_760461078245165721_nAmados irmãos e irmãs
“Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão”.
Nos tempos atuais a correria tem impedido as pessoas de percorrer o seu “Emaus”. Ninguém mais tem tempo para nada, os vizinhos e parentes não conversam mais. É até estranho, mas às vezes as pessoas moram lado a lado por anos a fio e sequer sabem o nome uma das outras. Ficam sabendo que o vizinho morreu pelo jornal.
Precisamos urgentemente aprender a ouvir as pessoas, caminhar com elas, saber como está a vida, o que anda pensando ou sonhando.
Outra riqueza deste Evangelho que só encontramos em Lucas é que na verdade ele se trata de uma celebração Eucarística, senão vejamos: a chegada do Cristo, a saudação inicial, o percorrer a história (proclamação da Palavra) e por fim a ceia no repartir o pão e na despedida o belíssimo: “Fica conosco”.
Os discípulos de Emaús nos dias atuais são os cristãos desanimados que vivem a dizer que este mundo está perdido e não tem mais jeito. São aqueles que não acreditam ser possível começar agora e já a instauração do reino de Deus.
A figura dos discípulos de Emaús foi apresentada como o ícone para nortear a vivência sacramental do Ano Eucarístico proclamado pelo beato João Paulo II. Na conclusão da Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, o mesmo papa nos confidenciava: cada dia pôde a minha fé reconhecer no pão e no vinho consagrados aquele Viandante divino que um dia se pôs a caminho com os dois discípulos de Emaús para abrir-lhes os olhos à luz e o coração à esperança… Como Cléofas e seu companheiro, devemos perceber que o Cristo caminha ao nosso lado e nos questiona sobre as razões da nossa tristeza. No decorrer dessa caminhada, saibamos escutar a sua catequese e com um ardor no coração, vamos solicitar humildemente que Ele parta o pão para nós”.
É preciso muita fé para dizer o que Pedro disse ao coxo. Imaginem se fossemos nós? Quantas dúvidas não poderiam pairar tal como: que vergonha vou passar se ele não ficar curado ou ainda se alguém ver poderá me acusar de curandeirismo, etc. Talvez muitas coisas deixem de acontecer em nossas vidas justamente pelo nosso medo de errar ou de passar vergonha e isto significa falta de humildade pois o coração humilde não se importa com o que os outros vão dizer.
Na primeira leitura dos Atos dos apóstolos vemos que Pedro, o porta-voz dos doze, faz um discurso, que constitui um primeiro anúncio de Jesus (“Querigma”) aos habitantes da cidade para inflamar os corações. Este discurso é para nós hoje e nos leva a pensar: As pessoas desanimadas, desiludidas e desorientadas de hoje encontram em nós testemunhas do ressuscitado? Somos nós que contaminamos o mundo e lhe oferecemos uma alternativa à desilusão, ou é o mundo que nos convence a viver de acordo com valores diferentes dos de Jesus?
Na segunda leitura da primeira carta de São Pedro convida-nos, antes de mais, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do próprio Filho (Jesus Cristo). Diante da grandeza do amor de Deus e a sua vontade salvífica, o homem aceita renascer para uma vida nova e santa (mesmo no meio das dificuldades e perseguições). Dessa forma, nascerá um Povo novo, consagrado ao serviço de Deus.
Quero terminar esta reflexão com as palavras do papa emérito Bento XVI que consta no documento de Aparecida: “Fica conosco”
Os trabalhos desta V Conferência nos levam a fazer nossa a súplica dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc 24, 29). Ficai conosco, Senhor, acompanhai-nos, ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-vos. Ficai conosco, porque as sombras vão se tornando densas ao nosso redor, e vós sois a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e vós nos fazeis arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas vós nos confortais na fração do pão para anunciar aos nossos irmãos que na verdade vós ressuscitastes e nos destes a missão de serem testemunhas da vossa ressurreição. Ficai conosco, Senhor, quando ao redor da nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade; vós, que sois a própria Verdade como revelador do Pai, iluminai nossas mentes com a vossa Palavra; ajudai-nos a sentir a beleza de crer em vós. Ficai em nossas famílias, iluminai-as em suas dúvidas, sustentai- as em suas dificuldades, consolai-as em seus sofrimentos e na fadiga de cada dia, quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza. Vós que sois a Vida, permanecei em nossos lares, para que continuem sendo ninhos onde nasça a vida humana abundante e generosamente, onde se acolha, se ame, se respeite a vida desde a sua concepção até o seu término natural. Ficai, Senhor, com aqueles que em nossas sociedade são mais vulneráveis; ficai com os pobres, com os indígenas e com os afro-americanos, que nem sempre encontraram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Ficai, Senhor, com nossas crianças e com nossos jovens, que são a esperança e a riqueza de nosso Continente; protegei-os de tantas insídias que atentam contra a sua inocência e contra suas legítimas esperanças. Ó bom Pastor, ficai com nossos anciãos e com nossos doentes. Fortalecei todos em sua fé, para que sejam vossos discípulos e missionários.
Rezemos com o Salmista: Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte nem vosso amigo conhecer a corrupção. Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 2, 14.22-23
Salmo: 16
2ª. Leitura: 1 Pedro 1,17-21
Evangelho: Lucas 24,13-35

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