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Ano A › 19/11/2017

33º. Domingo Comum

23471991_1488838244534729_4436665495690103164_nAmados irmãos e irmãs
‘Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor’.
O que são os talentos? No palácio vermelho do rei Mino na ilha de Creta poderemos encontrar no museu os talentos: uns bloques mais planos, mais ou menos quadrados ou lobulados, de uns 45 centímetros de lado e peso de 26 a 36 quilos. Não são moedas de bolso, mas pesos de pagamento e que, segundo tempos e culturas, foram de ouro, prata e bronze. Um talento era um peso. Equivalia a 21.000 gramas de prata. Para entender isto, se um denário equivalia a 4 gramas de prata, então um talento equivalia a 6.000 denários. Um trabalhador que quisesse ganhar somente um talento teria que trabalhar 6.000 dias, ou seja, quase 20 anos! Se fizermos os cálculos corretos, poderemos entender que o servo que recebeu cinco talentos, na realidade, recebeu um salario de 100 anos, o que recebeu dois recebeu o equivalente a um salario de 40 anos e que recebeu só um talento estava recebendo o salario de 20 anos de trabalho.
Esta parábola dos talentos é muito interessante, pois se por um lado alguns dizem que Deus não coloca em nossos ombros fardos maiores do que suportaríamos; aqui poderíamos dizer que Deus nos concede talentos não para escondermos ou querer só para nós, mas sim para colocarmos a disposição de toda a comunidade.
Um grave pecado que não podemos cometer é o de usar o manto da humildade (que no caso é mais omissão) para deixar de usar os dons em favor dos irmãos. O medo de errar, o medo do que os outros vão dizer não podem nos impedir de espalhar a Boa Nova do reino.
A construção do Reino de Deus depende dos homens! Imaginemos o que teria acontecido com a Igreja, se os apóstolos tivessem mantido a comunidade apenas em Jerusalém, se não permitissem que ela se expandisse entre os pagãos; se guardasse este grande tesouro só para eles.
Imaginem um coordenador de comunidade que se satisfaz porque tem cem congregados fiéis e só fica a zelar destes sendo que do seu lado existem milhares de pessoas sedentas. Estes podem ser comparados aos que hoje são discípulos que, embora não façam nada de errado, são incapazes de ir ao encontro do outro, de praticar um gesto de solidariedade, de lutar por justiça social. São incapazes de entender que a misericórdia e o amor vão muito além do que a observação de preceitos. São pessoas que buscam se salvar sozinhos esquecendo-se de que o próprio Cristo nos ensinou que quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á.
O elogio aos dois primeiros servos e a repreensão do terceiro indica qual tipo de colaborador o Senhor deseja. O discípulo missionário nunca vai estar satisfeito com o que já fez na Igreja, ele vai sempre querer buscar mais; são incansáveis na prática do bem e no anúncio do Reino. Note que aqui não estamos falando de coisas materiais, mas sim de bens espirituais.
Da Constituição dogmática sobre a Igreja no mundo atual “Gaudium et spes”, §§ 33-35 aprendemos que o homem sempre procurou, com o seu trabalho e engenho, desenvolver mais a própria vida. Muitas são as questões que se levantam entre os homens, perante este imenso empreendimento, que já atingiu todo o gênero humano. Qual o sentido e valor desta atividade? Como se devem usar estes bens? Uma coisa é certa para os crentes: a atividade humana individual e coletiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decurso dos séculos, tentaram melhorar as suas condições de vida, corresponde à vontade de Deus. Pois o homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar a terra com tudo o que ela contém (Gn 1,26ss), de governar o mundo na justiça e na santidade e, reconhecendo Deus como Criador universal, de se orientar a si e ao universo para Ele; de maneira que, estando todas as coisas sujeitas ao homem, seja glorificado em toda a terra o nome de Deus. Isto se aplica também às atividades de todos os dias. Mas quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária. Vê-se, portanto, que a mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo, nem os leva a desatender o bem dos seus semelhantes, mas que, antes, os obriga ainda mais a realizar essas atividades. A atividade humana, do mesmo modo que procede do homem, assim para ele se ordena. De fato, quando age, o homem não transforma apenas as coisas e a sociedade, mas realiza-se a si mesmo. O homem vale mais por aquilo que é do que por aquilo que tem. Do mesmo modo, tudo o que o homem faz para conseguir mais justiça, mais fraternidade, uma organização mais humana das relações sociais, vale mais do que os progressos técnicos.
Estamos fazendo render os talentos naturais e espirituais que Deus nos deu ou vamos escutar Dele: “Servo mau e preguiçoso”? Ou “Parabéns, servo bom e fiel”?
Na primeira leitura de Provérbios vemos orientações para os jovens que estavam prestes a as escolas de “sabedoria”. Neste poema, situado no final do livro o aluno era instruído acerca da eleição da esposa. Tinha que ser uma mulher que gerisse bem a casa; que fosse diligente, trabalhasse para que os seus familiares e que se encarregasse de todos os trabalhos domésticos, que partilhasse generosamente o fruto do seu trabalho com o pobre , que não se preocupasse com a sua aparência, mas sim em viver no temor do Senhor.
Na segunda leitura da primeira carta de Paulo aos tessalonicenses mais uma vez voltamos a questão da grande inquietação dos tessalonicenses sobre a sorte dos cristãos que morressem antes da segunda vinda de Cristo? Como poderiam eles sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se já estavam mortos? Paulo não lhes fala sobre o dia da vinda, mas diz que os crentes como filhos da luz e do dia, devem estar vigilantes, mantendo-se sóbrios; vivendo de olhos postos no futuro, à espera que chegue a vida verdadeira, plena, definitiva que Deus vai oferecer. Fazendo isto enquanto vivos não há porque se preocupar se morrermos antes da segunda vinda; pois nossa esperança é a garantia da Palavra que fala da precedência daqueles que já morreram em relação aos que estiverem vivos.
Ressaltamos que por ocasião do encerramento do ano da misericórdia o Papa Francisco instituiu o dia mundial dos pobres para ser celebrado todo ano no 33 domingo do tempo comum e neste ano o tema é: Não amemos com palavras, mas com obras e com verdade (1 Jo 3, 18). Nas palavras de Francisco se não soubermos celebrar o dia mundial dos pobres a solenidade de Cristo Rei não terá sentido!
Rezemos com o salmista: A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa. Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

Reflexão feita pelo diácono Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31 
Salmo: 127 
2ª. Leitura: 1Ts 5,1-6
Evangelho: Mt 25,14-30

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