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Ano A › 29/10/2017

30º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs22730379_1475849489166938_7826083441280932106_n
“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei”?
A pergunta que o doutor da lei faz para Jesus é muito oportuna, pois os judeus tinham 613 preceitos: exatamente 365 “negativos” (começam com um “não…”) e 248 “positivos” (começam com um “deves…”). Até hoje temos a tendência de multiplicar leis sem necessidade para barrar comportamentos que julgamos inadequados. Veja por exemplo que no caso da lei penal brasileira o art. 121 do código penal fala do matar alguém e aí com o passar dos anos foram acrescentando uma lei se a vítima é preta; outra lei se a vítima é homossexual, outra lei se é criança, outra lei se indígena, etc.
Precisamos entender que o amor de Deus não consiste em multiplicar os preceitos como rezar tantas horas, fazer dez novenas, ir a tantas missas, etc. O amor a Deus é centrar a minha vida em Deus e consequentemente o amor ao próximo é centrar nossa vida nos demais aceitando-os como são, respeitando, tolerando
Amar a Deus não significa excluir o amor ao homem nosso semelhante, às vezes com tristeza vemos alguns irmãos querer levar uma vida voltada somente para Deus; mas que exclui o próximo; o amor ao próximo só é possível quando se entra na dinâmica da misericórdia divina para com os mais necessitados e se abandona qualquer forma de idolatria para adorar somente a Deus como único Senhor.
O amor não pode ser um gesto de gratidão, de pena ou compaixão, e muito menos de retribuição, o outro não precisa me dar razões para amá-lo, devo amá-lo por decisão e vontade, mesmo que ele não mereça e nunca vá me retribuir: esse é precisamente o amor cristão.
Como Paulo diz aos Coríntios o amor de Deus é o amor gratuito e incondicional, o amor total da entrega ao outro, respeitando a sua dignidade de Filho de Deus, o amor que sempre sorri e nada cobra o amor paciente, compreensivo, que sabe sempre esperar, perdoar, que suscita no outro essa vida nova, que orienta, exorta, mostra o caminho, toma pelas mãos, cura, renova, liberta e salva.
Desta reflexão surge a necessidade de pensarmos bem antes de dizer: “Não vou a Igreja por causa das pessoas, mas por causa de Jesus”. Na verdade nós vamos a Igreja por causa de Jesus, mas também por causa dos irmãos. Um grande ensinamento que tiramos de tudo isto é que se queremos saber como uma pessoa ama a Deus basta olhar como ela ama os irmãos!
Na leitura do livro do Êxodo nos é falado da situação de debilidade que é aproveitada, com frequência, por pessoas sem escrúpulos que exploram e escravizam. São estrangeiros, órfãos, viúvas e pobres que lá como cá se tornam vítimas do sistema econômico. Esta injustiça e arbitrariedade é um crime grave contra Deus, que nos afasta da comunhão. Lembremo-nos que este assunto pode parecer de séculos passados mas nunca esteve tão atual. Muitos ainda hoje trabalham em troca do alimento ou em troca da moradia, sem registro e sem direitos. Há crianças no trabalho escravo, mulheres vendidas como escravas sexuais e crianças vendidas para adoção misturando a tudo isto o tráfico de órgãos que é um comercio super rentável para os gananciosos.
Na leitura da segunda carta de são Paulo aos tessalonicenses vemos uma comunidade cristã que, apesar da hostilidade e da perseguição, aprendeu a percorrer, com Cristo e com Paulo, o caminho do amor e do dom da vida; e esse percurso – cumprido na alegria e na dor – tornou-se semente de fé e de amor, que deu frutos em outras comunidades. A alegria e o sofrimento fazem parte do dinamismo do Evangelho e por isto se explica o sofrer na alegria e o alegrar se no sofrimento.
Rezemos com o Salmista: Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! E dos meus perseguidores serei salvo! Amém.

REFLEXÃO FEITA PELO DIÁCONO FRANCISCO
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Ex 22,20-26
Salmo: 17
2ª. Leitura: 1Ts 1,5c-10 
Evangelho: Mt 22,34-40

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