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Ano A › 12/03/2017

2º. Domingo da Quaresma

17103695_1246736738744882_2920585424670920310_nAmados irmãos e irmãs
“Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o”. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: “Levantai-vos e não temais”.
O Monte Tabor onde supostamente teria ocorrido a transfiguração é uma alta colina localizada no Leste do Vale de Jizreel, 17 km a oeste do Mar da Galiléia e o seu topo está a 575 metros acima do nível do mar.
Jesus assumiu de tal forma a condição humana que era difícil aos apóstolos enxergar nele algo especial; daí a surpresa na transfiguração.
Subir em uma montanha para orar é fazer ascese, é exercício espiritual que nos leva a afastar das preocupações do mundo e permite focar nossa atenção só na oração que estivermos dirigindo ao Pai.
Jesus hoje nos mostra o caminho da Cruz como única via para se chegar à glória da ressurreição, prefigurada no Tabor.
Os apóstolos não compreenderam, no momento, o episódio da transfiguração, mas quando o Espírito desce sobre eles em Pentecostes, tornam-se as testemunhas do fato decisivo da cruz e da ressurreição.
Muitas vezes nós somos surpreendidos pela dúvida na missão a nós confiada; não sabemos como e nem o que fazer; não entendemos o que acontece ao redor, mas assim como os discípulos seguimos em frente apenas na fé e só depois de outros acontecimentos é que vamos entender o que Deus queria de nós.
Os que dormem podem não entender o que está acontecendo quando acordam e por isto às vezes tal como Pedro pode querer armar tenda e por ali permanecer.
Armar as tendas demonstra comodismo e fuga dos desafios que a missão certamente trará e olha que alguns cristãos usam justificativas do tipo é melhor não mexer em vespeiro; deixa como está para ver como é que fica e assim tal qual ferida mal curada que é encoberta, mas continua febril; as necessidades pastorais são deixadas de lado e os problemas só se avolumam cada vez mais.
O que faz com que o rosto de Jesus seja transfigurado, na sua oração, é que ele em profunda intimidade mantém a sua face voltada para o Pai. É a comunhão com o Pai que transfigura e revela o mistério do Filho. Assim nós também devemos voltar nosso olhar com intimidade para o Pai a fim de sermos transfigurados.
Assim como transubstanciar, transfigurar é diferente de transformar; pois se na transubstanciação temos carne e sangue que não perdem a aparência, o cheiro e o gosto de vinho e pão; também na transfiguração você não vai deixar de ser você, mas pela luz poderosa do Senhor você refletirá para o mundo a luz do inflamado amor de um Pai pelos seus filhos.
Às vezes a celebração e o espaço da Igreja é o nosso Tabor onde queremos permanecer, mas ao término da celebração temos que descer da “montanha”, pois somos enviados a luta árdua do dia a dia.
Na primeira leitura do livro do Gênesis vemos que a aliança de Deus com Abrão se refere a sua descendência e nós somos filhos de Abrão; pois ele é nosso pai na fé. Ele não teve garantias e nem viu o cumprimento da promessa, mas apenas teve fé e hoje somos testemunhas de que a Palavra dada a Abraão se cumpriu. A figura de Abraão questiona o homem comodista que prefere apostar na segurança que já tem em vez de arriscar na novidade de Deus. Estamos dispostos a mudar, a colocar-nos a caminho em direção a terra prometida.
Na segunda leitura da segunda carta de são Paulo a Timóteo, este é convidado a superar a sua juventude e timidez e ser modelo de fidelidade e de fortaleza no testemunho da fé.
O autor da segunda Carta a Timóteo apresenta os motivos que devem impulsionar Timóteo a cumprir com fidelidade a sua missão apostólica. O autor da carta, prisioneiro por causa do Evangelho, recorda o projeto salvífico de Deus que, de forma gratuita, quer salvar os homens e chamá-los à santidade. Também é preciso termos consciência de que nós somos, aqui e agora, as testemunhas vivas de Deus. Os homens, nossos irmãos, têm de encontrar em nós – e particularmente naqueles a quem foi confiada à missão de animar e orientar a comunidade – sinais vivos de Deus, do seu amor, da sua bondade e ternura, da sua preocupação com os homens.
Rezemos com o Salmista: Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça. No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Gênesis 12,1-4
Salmo: 32/33
2ª. Leitura: 2 Timóteo 1,8-10
Evangelho: Mateus 17,1-9

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