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Ano B › 21/10/2018

29º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs 

“Todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos”. Às vezes somos chamados a parar e pensar: Será que estamos dispostos a observar isto? Dentro de nossas comunidades é comum as lutas e intrigas tudo por causa de cargos, prestígio, status, poder, sucesso e marketing pessoal.
O que Jesus nos pede neste Evangelho é que não nos deixemos influenciar pela busca de poder que por vezes nos leva a manipular Deus, como se fosse possível. Precisamos ser servos e para servir é preciso se abaixar e assim como quem não está preparado fisicamente não pode abaixar; pois vai doer e dar câimbras e aí vai desistir; o que não estiver preparado espiritualmente também não vai conseguir servir; pois vai doer no seu orgulho e dar câimbras na sua vaidade. Antes de beber o cálice que pode ser o martírio (vermelho ou branco) é preciso e preciso se tornar um servidor.
Vemos que o evangelho não esconde a realidade, não dissimula a fraqueza e o pecado dos discípulos, mas também veremos que Tiago vai ser o primeiro a beber do mesmo cálice de Jesus ao ser o primeiro apóstolo mártir.
Quantos de nos ainda hoje não quer ocupar a direita ou a esquerda do papa, do bispo, do padre ou ate de um simples coordenador recusando- se a ser simples servo, já vi gente brigando para ocupar cadeiras no presbitério. Se eles que eram apóstolos pensaram e agiram assim e chegaram à santidade, porque não nos espelharmos neles para olharmos nossas fraquezas e pecados, abandonando-os para também nos tornarmos santos bebendo do mesmo cálice do Cristo, ou seja, comungando de seus ideais.
Santo Agostinho bispo e doutor da Igreja no Sermão para a consagração de um bispo, Guelferbytanus nº 32; PLS 2, 637 nos diz: … Podeis beber o cálice que Eu vou beber? E que cálice era esse, senão o da Paixão? E eles, ávidos de honras, esquecidos da sua fraqueza, imediatamente dizem: Podemos. Ele replicou-lhes: Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado. Deu assim prova da sua humildade; na verdade, tudo o que o Pai prepara é também preparado pelo Filho. Ele veio humilde: Ele, o Criador, foi criado entre nós; Ele, que nos fez, foi feito para nós. Deus antes do tempo, homem no tempo, libertou o homem do tempo. Este grande médico veio curar o nosso cancro; veio curar o próprio orgulho pelo seu exemplo. É a isso que devemos estar atentos no Senhor: olhemos a sua humildade, bebamos o cálice da sua humildade, aprendamos dele, contemplemo-lo. É fácil ter pensamentos nobres, é fácil apreciar as honras, é fácil ouvir os aduladores e os que nos elogiam, mas ouvir insultos, suportar pacientemente as humilhações, orar por aqueles que nos ofendem, isso é o cálice do Senhor, isso é o banquete do Senhor. A identificação do discípulo com seu Mestre requer esta participação efetiva; supõe que participemos do sacrifício incruento onde Ele se dá no vinho e no pão em cada missa, atualizando a paixão.
Na primeira leitura do livro do livro do profeta Isaías fala do “Servo de Deus”, insignificante e desprezado, mas através de quem se a salvação de Deus. Como aqui não se identifica tal servo pelo nome e nem pela família, os primeiros cristãos logo o ligaram a figura de Jesus que é o servo sofredor. O belo deste texto é que a descrição é inconfundível em especial quando no final se diz: …”carregando sobre si suas culpas”.
Na segunda leitura da carta aos hebreus lemos: “Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Deus que ama o homem com um amor sem limites e por isso assume a nossa fraqueza e sabendo que não conseguimos alcança-lo devido o peso de nossas faltas, Ele desce ao nosso nível. Um Deus que por amor se rebaixa ao nível da criatura. Aqui então fica a pergunta que não quer calar: Nós buscamos Deus por medo ou pela recompensa? Os dois estão errados; pois um autêntico cristão é amante de Jesus e da sua Igreja na acepção da palavra; portanto não busca Deus por medo de ir para o inferno, pois se assim o fosse se o inferno não existisse ele deixaria de amar a Deus. Também não busca Deus porque vai ganhar o céu, mas sim porque ama. Lembramos que o amor não comporta explicação. Para concluir uso de um poema chamado ”Não me move” da grande santa e doutora Teresa D’Avila: Não me move Senhor para te amar, o Céu que me prometestes. Nem me move o inferno tão temido, para deixar por isso de te ofender. Tu me moves Senhor, move-me ver-te pregado em uma Cruz e escarnecido. Move-me ver teu Corpo tão ferido. Movem-me tuas afrontas e tua morte. Move-me enfim o teu amor, e de tal maneira, que ainda que não houvesse Céu eu te amaria, e ainda que não houvesse inferno te temeria. Nada tens que me dar para que eu te queira, pois mesmo que eu não esperasse o que espero, o mesmo que te quero. Eu te quereria.
Neste domingo celebramos o Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária.
Rezemos com o Salmista: No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Isaías 53, 2a.3a.10-11
Salmo: 32
2ª. Leitura: Hb 4, 14-16
Evangelho: Mc 10, 35-45

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