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Ano B › 30/09/2018

26º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs 

“Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor”.
Aqui Jesus dá um puxão de orelhas nos apóstolos bem como a nós nos dias de hoje quando queremos manipular a ação do Espírito Santo de Deus como se fôssemos patrões ou proprietários de Deus.
O nome de Jesus, sua pessoa, não é monopólio da comunidade e nem de pessoa alguma. O Senhor não é prisioneiro de nenhum grupo, pessoa ou instituição.
Jesus tenta fazê-los perceber que existem agentes do Reino, onde menos se espera. Atualizando esta palavra diríamos que aqui está o que chamamos de sementes do verbo; ou seja, onde Jesus ainda não foi anunciando, mas as pessoas praticam o bem e neste caso não podemos dizer que não haja aí a ação do Espírito Santo. Não nos esqueçamos jamais de que Deus está na origem do bem
Em vez de nos irritarmos por outros fazerem o bem em nome de Cristo, devemos alegrar-nos por Deus se dignar agir por meio de outras pessoas e em outros lugares que não a Igreja. É uma tentação em que também nós, os católicos, que sabemos estar na verdade, podemos cair. Por vezes, temos dificuldade em admitir que Deus possa fazer o bem por meio de pessoas que não pertencem a Igreja; que estão em outras Igrejas ou até em nenhuma Igreja.
Quantas vezes não aceitamos participara de eventos da prefeitura que visam o bem só porque lá tem espíritas, seicho-no-ie ou protestantes. Pensemos nisso, será que agrada a Deus este tipo de omissão que colocamos sob o véu do perigo de nos contaminarmos com o mal. Quem tem medo deste tipo de contaminação é porque não está muito convicto de sua fé em Jesus Cristo (medo de conversar com prostituta e se tornar uma). O Papa Francisco nos alerta de que a intolerância é um escândalo. A intolerância é intolerável.
O discípulo do Reino de Deus, no exercício de sua missão, deve ser muito cauteloso, prudente para não se tornar ocasião de escândalo e de pecado para quem está dando os primeiros passos na fé. Se alguém desistir por causa de você isto lhe será cobrado. Pregar paciência e ser intransigentes e impacientes, não respeitando o ritmo próprio de cada pessoa no seu processo de adesão a Jesus é como ser fariseu. Aos iniciantes na fé não podemos ser muito severos e exigentes, pois às vezes muitos deles ainda estão atrelados a antigos costumes e superstição.

Escândalo: É tornar público um ato que fere física ou moralmente a dignidade de um ser humano. “E se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.” Segundo os costumes do império romano, este ato se dava quando se praticava algum crime hediondo contra as crianças. Também quando se enganava pessoas puras e humildes, inclusive religiosamente. A pedra de moinho era utilizada e era uma forma terrível de morrer.

É muito comum ouvirmos que isso ou aquilo é escandaloso e, normalmente, quando isso acontece, o fato está relacionado com questões de dinheiro e sexualidade. O escândalo é muito mais do que isso. Dar escândalo significa ser ocasião de pecado para as outras pessoas, independentemente da natureza ou da forma do pecado. A alusão à queda dos pequenos é uma advertência àqueles que na comunidade buscam a vaidade e o poder e chocam aqueles que se aproximam com a esperança de encontrar amor e fraternidade. Se antes era simples, humilde e andava com os pobres agora já não mais é visto entre os pequenos e não mais confia na oração, etc.
As alusões aos membros cortados são exageros literários (hipérbole). Quando você faz um curso bíblico você aprende isto e no nosso dia a dia fazemos isto com muita frequência (não tinha ninguém, tinha mais 5 mil, 1001 utilidade, morri de rir, etc.). Este exagero visava induzir à disciplina pessoal. Não é para interpretar literalmente, leitura fundamentalista, pois se assim fizermos poucos ou talvez nenhum de nós escapemos de ter o olho furado, a mão cortada ou o pé amputado. (coxos, manetas e cegos). Este cortar membros pode indicar também a exclusão de membros da comunidade (do corpo) que provocam escândalos. Por ex. Se um padre, um diácono, um ministro da Eucaristia ou alguém do canto é motivo de escândalo e sendo exortado não quer mudar é preferível cortá-lo, excluí-lo da comunidade do que permitir que ele fique provocando escândalo.
Na primeira Leitura do livro dos Números vemos que Moises não sentiu ciúmes porque Eldad y Medad profetizavam. “Quem dera que todo o povo de Deus fosse profeta e descesse sobre todos o Espírito do Senhor”. Espírito que sopra onde quer e sobre quem quer. O verdadeiro cristão é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta. Josué age como João no Evangelho e por isto é repreendido. Com o seu exemplo, Moisés ensina aos atuais responsáveis nas comunidades a aceitar a ajuda, a partilhar o fardo e não ficar achando que só nós somos capazes de fazer as coisas e assim evitamos aceitar a ajuda dos outros; pois se tornam ameaça ao nosso cargo e poder.
Na segunda Leitura da primeira carta de são Tiago nos é ensinado que infelizmente existem pessoas cujo objetivo principal na vida é o de acumular bens sobre os quais depositam toda a confiança e esperança esquecendo se de que o destino final dos bens perecíveis é a destruição; e quem tiver os bens materiais como o seu deus não terá o à vida e eterna. Precisamos também olhar com cuidado a origem de nossos bens, pois muita riqueza é adquirida a custa da exploração dos pobres. Muito do luxo e prazer dos ricos vem da morte dos pobres, da injustiça e, Deus não ficará indiferente ao sofrimento do pobre e do oprimido. Como diz uma frase cujo autor não me recordo, mas que retrata bem esta leitura; Tem que gente que é tão pobre, mas tão pobre que só tem dinheiro.
Neste domingo celebramos o Dia da Bíblia e por isso peçamos a Deus que a exemplo de São Jerônimo possamos aprofundar nossa compreensão da Palavra para vivenciarmos o chamado de Deus para vivermos na plenitude do amor.
Rezemos com o Salmista: É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente. E vosso servo, instruído por eles, se empenha em guardá-los. Mas quem pode perceber suas faltas? Perdoai as que não vejo! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Nm 11,25-29
Salmo: 18
2ª. Leitura: Tiago 5,1-6
Evangelho: Marcos 9,38-43.45.47-48

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