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Ano B › 16/09/2018

24º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs 

“Quem dizem os homens que eu sou? Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros Elias; outros um dos profetas. Então lhes perguntou Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo”. Quem é Jesus? Esta pergunta ainda hoje ecoa forte nos corações humanos! Jesus foi direto ao assunto que mais lhe interessava: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. A resposta de Pedro foi corretíssima “Tu és o Cristo!”.
A questão é saber, de que Cristo Pedro estava falando. Por isso, em seguida, Jesus revela o sentido do seu messianismo, que irá se consolidar no sofrimento, na rejeição, na morte e ressurreição.
Na visão de Pedro o messianismo é aquele onde tudo vai dar certo e as coisas vão se resolver, as contas irão fechar, pois Jesus irá por ordem na casa, com o seu poder divino. Ninguém irá resisti-lo. Não é essa a ilusão que toma conta do coração de muitos cristãos em nossas comunidades? O Jesus do “tudo certo”, do “mar de rosas”, da “doce paz, da saúde, da prosperidade”, o Jesus da reviravolta, que só me dá vitória em cima de vitória, o Jesus que sempre me tira das dificuldades da vida. Esse não é o Jesus do Evangelho, mas o Cristo dos desiludidos!
Encontrar sempre respostas prontas, caminhos largos, problemas resolvidos, portas abertas, nunca foi e nem será uma característica do cristianismo. Quem irá, nos dias de hoje, fazer marketing de um projeto que implique renúncia, cruz e sofrimento? Um projeto cuja proposta de Salvação seja pautada pelo desprezo á própria vida, deixando de lado até interesses particulares. Proposta de Salvação que não fale em vitória, em sucesso, em prosperidade, que não lota Igreja, não dá audiência. Qualquer marqueteiro da atualidade teria a mesma reação de Pedro e repreenderia Jesus… Onde já se viu começar um projeto prenunciando o fracasso da cruz?
Como Pedro às vezes de uma hora para outra depois de termos proclamado o senhorio de Jesus com nossa boca; pela mesma boca blasfemamos ou com nossa vida contra testemunhamos o que acabamos de professar. Vejam por exemplo a incoerência dos que pregam a pobreza e vivem na opulência; pregam mansidão e agem como leões; pregam a verdade e vive na farsa.
Quem quer a religião só da glória e do gozo celestial já aqui nesta terra, quem se esconde nas comunidades para não enfrentar os desafios, quem procura viver um cristianismo light, quem vive se iludindo com o Cristo criado pelo consumismo. Todos esses ouvirão naquele dia o mesmo que Pedro ouviu ”Afasta-te de mim Satanás, pois não pensas as coisas de Deus”.
O que significa perder a vida por causa de Jesus e do seu evangelho? O que significa “Perder para ganhar”. Nos primeiros séculos tivemos centenas de mártires que derramaram seu sangue na arena, por causa do testemunho. Será que é deles que o evangelho está falando? Será que não podemos aplicar hoje ás pessoas de nossas comunidades, de que elas também perdem a vida por causa de Cristo e do seu evangelho? Em certo sentido, é muito válido dizer que nossos agentes de pastorais, perdem a vida, quando se dedicam a tantos trabalhos estafantes, muitos até nem vivem mais para si mesmo, mas organizam suas vidas a partir da comunidade, e fazem isso com muita alegria e seriedade. Deixar de lado os interesses pessoais, para dedicar-se ao trabalho pastoral, sem dúvida é também perder a vida.
Na primeira leitura do livro do profeta Isaías, o profeta deixa claro que a força da resistência está justamente em continuar em frente apesar do sofrimento e das dores, não relutar e não se esquivar do caminho; pois é aí que reside o segredo da VITÓRIA.
Na segunda leitura da primeira carta de são Tiago nos é ensinado que a fé sem obras é morta e isto porque havia quem interpretasse mal as afirmações de Paulo sobre a justificação pela fé, sem as obras da lei (cf. Gl 3). Tiago responde a estas questões envolvendo os seus ouvintes. Não é um absurdo despedir os irmãos necessitados sem lhes dar o que precisam? Também a fé sem obras é um absurdo, é um cadáver. A fé e as obras são inseparáveis. Não é suficiente proclamar a fé com palavras. Para ser cristão não é suficiente acreditar, também os demônios acreditam. Uma fé unicamente intelectual é diabólica.
Destacamos dois tipos de cristãos: Cristão convertido e cristão convencido! Cristão convencido é aquele que tem certeza que já está salvo e acha que não precisa de mais nada. Uma pessoa pode ter pregado no nome de Jesus, expulsado demônios e feito maravilhas e ouvir de Jesus: Não te conheço! Não adianta nada dizer que tem fé em Deus se essa fé não resultar numa ação concreta. As Escrituras dizem que devemos ser “praticantes” e não somente ouvintes. Há uma diferença enorme entre um ouvinte e um praticante da palavra, entre estar num templo e ser o templo do Espírito, entre se dizer cristão e ser um verdadeiro cristão, entre aquele que faz a vontade e aquele que não faz. O cristão convencido fez a opção de se julgar salvo somente pela fé e o cristão convertido tal como Abraão, confirma nas obras aquilo que conhece. É um absurdo pensar que nos salvamos pelas nossas obras. É Deus que, pelo seu amor, nos salva, e não as nossas obras. Só que um detalhe não pode passar despercebido: Aquele que verdadeiramente ama Jesus traduz esse amor em obras!
Rezemos com o Salmista: Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração. Inclinou para mim seu ouvido, no dia em que eu o invoquei. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Is 50,5-9a
Salmo: 114
2ª. Leitura: Tg 2,14-18
Evangelho: Mc 8,27-35

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