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Ano A › 03/09/2017

22º. Domingo Comum

21192199_1424888504263037_2152613967205639422_nAmados irmãos e irmãs
“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem perder a sua vida, por causa de mim, vai ganhá-la”.
O mesmo Pedro que confessou que Jesus era o Filho do Deus vivo é agora chamado de satanás! Pedro se opõe ao modo de pensar e agir de Jesus, para ele não precisa passar por tão grande sacrifício, pois não é essa a vontade de Deus. É por causa dessa última afirmação que Pedro é chamado de Satanás por Jesus, que significa aquele que é contra o projeto de Deus. Quantas e quantas vezes nós também não questionamos se é necessário o sacrifício e tentamos justificar nossa preguiça espiritual dizendo não ser da vontade de Deus.
Muito de nós pensamos e reagimos da mesma forma e não segundo a prática de Jesus. Como Pedro, acabamos de professar a fé e imediatamente ao sair da missa negamos o que falamos com o nosso comportamento.
Ser discípulo missionário como nos fala o Documento de Aparecida implica em renúncia, cruz e perda. Eis aí três palavras proibidas nos dias de hoje pelos que querem um Cristianismo sem sacrifícios e renúncias, sem calvário e sem cruz; aliás, estamos tendo muitos especialistas em arrancar Jesus da cruz. Lembramos aqui de uma música do padre Antônio Maria que diz: “Não encontra quem quiser encontrar Cristo sem cruz… Como não a cruz sem Cristo e não há Cristo sem cruz…”.
A RENÚNCIA: Renunciar a si mesmo é optar por fazer o outro viver; é lutar contra o instinto de preservação da própria vida. Renunciar a si mesmo é optar por viver a vida de Deus, sem perder o que lhe é próprio; é viver o caminho de Jesus como algo grandioso; é renunciar a todo tipo de egoísmo.
A CRUZ: Jesus não quer que pratiquemos uma religião alienadora que despreza as coisas desse mundo; aliás, no Evangelho de João 17 ao fazer a oração sacerdotal Ele diz muito claramente: Pai eles não são do mundo, mas estão no mundo. Deus também não quer que procuremos o sofrimento, pois Deus não é masoquista. O sofrimento é consequência do amor. Quem ama não abandona o barco, mas luta e sofre junto. Jesus não desistiu mesmo quando percebeu que acabaria sozinho, traído e negado. Isto é abraçar a Cruz.
A PERDA: O mundo atual prega a cultura do eu; o importante é ganhar independente do que se faça para ganhar. Muitos programas televisivos falam claramente em eliminar o outro sem escrúpulo algum. O papa Francisco nos falou da cultura do descartável e aí nos lembramos da eutanásia onde na verdade olhamos para os idosos como alguém que dá prejuízo com remédios, aposentadorias além de não mais produzir então é preciso eliminar. Na esteira dos idosos vem os deficientes e tantas outras categorias marginalizadas. Lutar contra isto e abandonar a cultura do Eu pode parecer perda, mas nós o sabemos que não.
Jesus quer nos ensinar que quando abraçamos nossa Cruz exercemos o discipulado, a missão com sinceridade, colocando o Evangelho em primeiro lugar. Estaremos tão ocupados em amar e servir os outros que não teremos tempo para buscar nossos interesses e nossas neuroses. Tomar a cruz e seguir Jesus é deixar todas as nossas conveniências e interesses para trás, é renunciar aos prazeres que o mundo oferece. O grande ensinamento que tiramos deste Evangelho é que a salvação é comunitária, ou seja, ninguém se salva sozinho.
Concluindo diríamos que Jesus quer afastar definitivamente a tentação de uma Cristologia e de uma eclesiologia satânicas, isto é, de uma Cristologia e de uma eclesiologia que não aceitassem Jesus como filho do homem, que pretendessem salvar a vida por outros caminhos que não o da cruz.
O seguimento não é imposto, mas sim proposto. Você pode aceitar ou de recusar, mas se aceitar tem que assumir as exigências do amor. Ser discípulo de Jesus não é somente ser bom, mas acima de tudo fazer o bem, ser discípulo de Jesus é diferente de ser admirador. Muitos são admiradores de Cristo, mas poucos são seus seguidores. Jesus não precisa de fãs, mas de fiéis.
Na primeira leitura vemos a história de Jeremias que é como a história de todos aqueles que Deus chama a ser profeta. A amargurada e dolorosa por causa da hostilidade que encontra no exercício do seu ministério. O ministério profético não é uma vocação a tranquilidade: é incômodo para quem fala e para quem ouve. Como Jeremias o verdadeiro profeta coloca sua vida a serviço de Deus e nesse “caminho” enfrenta os poderosos e por isso conhece o sofrimento, a solidão, a perseguição. Tudo isto porque não fala somente o que agrada, mas o que Deus quer falar.
Na leitura da carta aos romanos nos é mostrado que o cristão é alguém que não concorda com um mundo construído contra os valores de Deus. A lógica materialista do sucesso a qualquer custo, o consumismo desenfreado que deixa para trás uma multidão de vencidos e de sofredores, ou a globalização que favorece alguns privilegiados eliminando aqueles que não produzem.
Hoje damos início ao mês da Bíblia… Palavra de Deus…. Verbo encarnado…
Rezemos com o Salmista: Quero contemplar-vos no santuário, para ver o vosso poder e a vossa glória. A vossa graça vale mais do que a vida; por isso, os meus lábios hão de cantar-vos louvores. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Jeremias 20,7-9
Salmo: 62/63
2ª. Leitura: Rm 12,1-2
Evangelho: Mateus 16,21-27

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