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Ano C › 15/08/2016

20º. Domingo Comum

14021541_1045096885575536_4081104630439862448_nAmados irmãos e irmãs
A palavra “fogo” é muito usada na literatura antiga e moderna, com significados diversos: purificação, renovação, amor. Em toda a Bíblia, o fogo é símbolo de Deus: na sarça ardente; no fogo da tempestade no Sinai; nos sacrifícios do Templo; como símbolo do juízo final que purifica todas as coisas. Na tradição bíblica profética, o “fogo” é elemento purificador que consome impurezas. Na linguagem apocalíptica “fogo” significa também juízo que supõe o fim do mundo e o início do outro. Vir trazer fogo a terra significa que a presença de Jesus tem a força de purificar o mundo da impureza, do egoísmo, da desigualdade, da discriminação e exclusão e assim por diante.
Pode parecer esquisito o próprio Jesus falar que não veio trazer a paz; mas se olharmos bem para o tipo de paz que existe no mundo concordaremos com Jesus; pois, Ele veio para desmascarar a farsa da (Pax romana) da sua época e da paz dos dias atuais que também é falsa ;pois é mantida sobre arsenais de guerra, ameaças e tudo mais. Os homens fingem que estão em paz e assim vão matando uns aos outros; enquanto muitos que se dizem cristãos apoiam este sistema e pregam um Jesus light, um Jesus de conveniência; apresento-me como arauto da paz, mas fabrico e vendo armas como ninguém.
Jesus vem mostrar que seu projeto o amor desafia todo entendimento; não podemos saber qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor, pois ele é infinito. Um Jesus que não incomoda é o modelo de Jesus que agrada o mundo atual, mas o Jesus em suas palavras e ensinamentos gera conflito, pois Ele denuncia as injustiças e com isto fere muitos interesses pessoais; além é claro de deixar claro que os seus seguidores não podem ser frouxos e mornos. A lealdade a Jesus e a decisão de segui-lo está acima de qualquer lealdade e de qualquer outra decisão. Nenhum laço afetivo deve preceder o amor por Jesus ou ser obstáculo para o seguimento de Jesus Cristo.
Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja no Comentário sobre o evangelho de Lucas, nos ensina que como os dias dessa vida ainda são noite, temos necessidade de uma lâmpada. Era o fogo que, segundo o testemunho dos discípulos de Emaús, o próprio Senhor tinha colocado neles: “Não estava o nosso coração a arder cá dentro quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras?” Eles ensinam-nos qual é a ação desse fogo, que ilumina o fundo do coração do homem. É por isso que o Senhor virá no fogo, para consumir o mal no momento da ressurreição, cumulando com a sua presença os desejos de todos e projetando a sua luz sobre os méritos e os mistérios.
O CIC §§ 696, 728-730 diz que enquanto a água significa nascimento e fecundidade dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito. Elias, que apareceu como um fogo e cuja palavra queimava, pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Batista, que irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias, anuncia Cristo como Aquele que há de batizar no Espírito Santo e no fogo.
É sob a forma de línguas de fogo, que o Espírito repousa sobre os discípulos em Pentecostes e os enche de si. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo: Não apagueis o Espírito! Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua morte e ressurreição. Só quando chega a hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos antepassados.
O Espírito da verdade, o Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede. Chega, por fim, a hora em que Jesus entrega seu espírito nas mãos do Pai, em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, logo dá o Espírito Santo soprando sobre os discípulos.
Na 1ª. Leitura de Jeremias vemos que o profeta recebe de Deus uma missão que lhe vai trazer o ódio dos grandes e desconfiança do povo, mas mesmo assim Jeremias vai e cumpre a missão não se preocupando com as consequências. O verdadeiro profeta tem consciência de que a missão profética não é um concurso de popularidade, mas um testemunhar, com verdade e coerência, os planos de Deus. A vida de profeta é um arriscar a vida por causa da Palavra de Deus e da missão. Hoje muitos pensam que são profetas só porque estão sob holofotes e muita luz artificial! O verdadeiro profeta tem sobre si a Luz de Deus!
Na 2ª. Leitura da carta aos hebreus lembro que estamos em plena olímpiada no Brasil e como atleta deve o cristão correr de forma decidida ao encontro da vida plena – como os atletas que não olham a esforços para chegar à meta e alcançar a vitória. Cristo nunca cedeu ao mais fácil ou ao mais agradável e por isto venceu e nos convida a não entregar os pontos ante um ambiente hostil e ou de forte oposição; mas sim, resistir até ao sangue, na luta contra o pecado.
Rezemos com o Salmista: Eu sou pobre, infeliz, desvalido, porém, guarda o Senhor minha vida, e por mim se desdobra em carinho. Vós me sois salvação e auxílio: vinde logo, Senhor, não tardeis! Amém.

 

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia
1ª. Leitura: Jr 38,4-6.8-10
Salmo: 39
2ª. Leitura: Hb 12,1-4
Evangelho: Lc 12,49-53

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