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Ano A › 13/08/2017

19º. Domingo Comum

20770172_1405233356228552_5360093821618439210_nAmados irmãos e irmãs
“Tende confiança. Sou Eu. Não temais. Respondeu lhe Pedro: Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas. Vem! – disse Jesus”.
O Evangelho de hoje traz inúmeros ensinamentos, mas fiquemos com alguns deles. O primeiro é um detalhe interessante; pois parece que Jesus obrigou os apóstolos a entrar na barca; isto significa que eles queriam ficar na segurança da terra firme e no lugar onde conheciam as pessoas ao invés de partirem para o mar revolto e terras estranhas. Jesus quis arrefecer o entusiasmo excessivo dos discípulos por tantas curas e milagres. Quão semelhante é esta passagem com muitos de nós que quer ficar na segurança do interior das Igrejas com câmeras de segurança, alarmes, etc.
Pensaram que fosse um fantasma e gritaram. As comunidades que encaram trabalhos pastorais apenas como um empreendimento humano começa a ver Jesus como fantasma que assusta. O medo distorce o olhar e impede que reconheçamos Jesus que caminha sobre as águas do mar da vida.
Os discípulos nada entendiam e esta era a razão do medo e ainda hoje muitos estão com medo por falta de entendimento; mas olhemos para os apóstolos que mesmo sem nada entenderem permaneceram na missão. Somos todos convocados a confiar naquele que é o Senhor desta barca que é a Igreja.
Na barca que é a Igreja sempre encontraremos ventos contrários aos quais seremos incapazes de vencer; pois a vitória só ocorrerá se deixarmos Jesus entrar na barca. Muitos até deixam Jesus entrar na barca que é a Igreja, mas não lhe passam o leme; isto é, quer que Jesus reme, mas a direção no leme continua com elas e aí é claro que esta barca não vai para lugar algum. Lembro-me aqui de uma antiga canção do padre Zezinho que dizia: Há um barco esquecido na praia
Já não leva ninguém a pescar / É o barco de João e Tiago / Que partiram pra não mais voltar / Quantas vezes em tempos sombrios/ Enfrentando os perigos do mar / Barco e rede voltavam vazios / Mas os dois precisavam pescar / Quantos barcos deixados na praia / Entre eles o meu deve estar / Era o barco dos sonhos que eu tinha / Mas eu nunca deixei de sonhar / Quanta vez enfrentei o perigo / No meu barco de sonho a singrar / Jesus Cristo remava comigo / Eu no leme, Jesus a remar / De repente me envolve uma luz / E eu entrego o meu leme a Jesus / É preciso pescar diferente / Que o povo já sente que o tempo chegou/ E partimos pra onde ele quis / Tenho cruzes, mas vivo feliz / Há um barco esquecido na praia / Um barco esquecido na praia. Um barco esquecido na praia.
O Evangelho também nos ensina que não há outro caminho que leva ao Pai, mas mesmo assim muitas vezes procuramos por tantos atalhos e estradas que não nos levam a nada. O nosso caminho é o mesmo de Jesus, é o caminho do serviço e do amor e principalmente da Cruz. O medo nos leva a abandonar a missão. O papa Francisco tem insistido muito nesta questão do medo, ele destaca que um coração amedrontado prejudica a missão na medida em que se tem medo de lançar as redes em águas mais profundas. Ficamos no superficial por medo de corrermos riscos. Não fazemos coisas maiores por medo de não dar certo.
Por que Pedro quase afundou? Porque ele olhou mais para as águas agitadas ameaçadoras do que para o Senhor. Mas quando ele voltou a olhar para o Senhor, as águas agitadas não mais o ameaçaram, mas se tornaram uma estrada para ele caminhar ao encontro do Senhor. Também nós, quando nos encontramos no meio da tormenta ou do sofrimento, em perigo iminente de “perder a vida”, muitas vezes nos esquecemos de olhar para o Senhor e de ouvir a sua voz, e, por isso, começamos a duvidar e a afundar nos nossos problemas.
Na primeira leitura do livro dos Reis, Elias, depois de muito sucesso contra os profetas e os sacerdotes de Baal, fugiu para o deserto perseguido de morte pela rainha Jezabel. Perdeu a paciência. Já não queria ser profeta. Tudo eram decepções. Para que continuar? Mas sentiu no coração que deveria estar atento as manifestações do senhor em sua vida. O Senhor passa em nossas vidas a cada instante. Mas precisamos tomar cuidado para não nos confundirmos. Elias julgou que Deus estivesse no vento impetuoso e forte, mas Deus não estava nessas experiências grandes e magníficas. Deus vem no murmúrio de uma leve brisa. Precisamos estar atentos para não ficarmos presos a coisas espetaculares e pela falta de humildade e simplicidade não perceber que muitas vezes Deus fala no silencio do interior de cada um de nós.
A segunda leitura que é da carta de são Paulo aos Romanos vem nos mostrar que Deus tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece. Pare um pouco e reflita sobre as oportunidades perdidas durante teu caminhar terreno.
Rezemos com o Salmista: Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1 Reis 19,9a.11-13a
Salmo: 84/85 
2ª. Leitura: Rm 9,1-5
Evangelho: Mt 14,22-33

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