Highslide for Wordpress Plugin
Ano B › 05/08/2018

18º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs
“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. Jesus é o verdadeiro pão descido do céu, o “pão da vida”, pois o maná durava poucas horas ao passo que o pão descido do céu é por toda a eternidade. Nós temos este pão e não sabemos valorizá-lo.
O discurso ao pão da vida é uma aula sobre a Eucaristia, aula que nos lembra de que comer e beber são essenciais para a nossa existência terrestre. Portanto uma coisa não está dissociada da outra; pois se alimentamo-nos da Eucaristia para nos fortalecer espiritualmente, mas não alimentamos corretamente o corpo que é templo do Espírito Santo alguma coisa está errada e com certeza um corpo debilitado não pode ser um bom instrumento de evangelização.
Vemos no evangelho que Jesus atraía multidões muito mais pelo que fazia do que pelo que Ele era e por isto Jesus os adverte de que não queria ser procurado na qualidade de milagreiro; mas sim queria ser reconhecido como Filho de Deus, como alimento especial que é seu próprio Corpo e Sangue. (Eucaristia). A Igreja não foi deixada por Jesus para ser um posto de autoatendimento ou venda de serviços como se pudesse dizer que aceitar Jesus é sinônimo de riqueza, prosperidade e felicidade terrena. Não há problemas em pedir a Jesus corpo saudável, bens materiais, sucesso profissional, etc. No entanto precisamos entender que tudo isto tudo isso são coisas perecíveis que irão ficar para traz. Devemos acima de tudo pedir a Jesus aquilo que jamais perecerá; ou seja, a vida eterna; Jesus quer que busquemos as coisas do alto (do céu); sem, no entanto deixar de viver as realidades terrenas.
“Que milagres fazes, para que vejamos e creiamos em ti?” Quantos de nós podemos até não dizer, mas lá no fundo pensamos assim e até escolhemos esta ou aquela pastoral; movimento ou paróquia, não pensando em Jesus, mas sim pensando que vantagem teremos. Quando se decide seguir Jesus Cristo e a sua igreja não se pode aplicar o princípio do melhor custo benefício que significa investir pouco e ganhar muito; um seguidor de Jesus valoriza qualidade e não quantidade e por vezes investe muito e nada ganha.
Outra questão é quando cobramos de Deus por algo que tenhamos feito como se fosse um banco de barganha. Nenhum de nós por mais coisas que façamos podemos achar que temos crédito com Deus, nosso saldo com Deus será sempre devedor! Imaginem uma oração que comece assim: “Senhor eu vou à missa todo domingo, pago o dízimo então agora o Senhor não pode faltar comigo”. Jesus se realmente o Senhor me ama então vai fazer com que eu passe no vestibular, vai fazer meu time ser campeão, etc.
A exigência de provas demonstra desconfiança da parte de quem a solicita. Vejam por exemplo à namorada que diz ao seu namorado: se você me ama faz isto ou faz aquilo. Quem ama e sabe que é amado não pede sinais deste amor; pois o maior sinal que o amor pode dar é ele mesmo. Assim o maior milagre que Jesus poderia mostrar aqueles judeus era a sua própria pessoa como pão vivo e verdadeiro alimento.
São João Crisóstomo bispo e doutor da Igreja em suas Homilias sobre o Evangelho de Mateus, nº 82, 5 nos ensina que: Os inimigos de Cristo bateram no Seu santíssimo corpo sem saberem o que faziam (cf Lc 23,34); e tu recebê-lo-ias com a alma impura depois de tantos benefícios que Ele te fez? Pois Ele não Se contentou em se fazer homem, em ser flagelado e morto; no seu amor, quis também unir-se a nós, identificar-se conosco não apenas pela fé, mas realmente, pela participação no seu próprio corpo. Considera a honra que recebes e a que mesa és conviva. Aquele que os anjos não veem sem tremer, Aquele para quem não ousam sequer olhar sem temor por causa do esplendor da glória que lhe irradia da face, é desse que fazemos nosso alimento, tornando-nos um só corpo e uma só carne com Ele. Que pastor alguma vez alimentou as suas ovelhas com a sua própria carne? Acontece muitas vezes que mães confiam os filhos a amas. Cristo não faz isso; Ele alimenta-nos com o Seu próprio sangue, torna-nos um só corpo com Ele.
A beata Teresa de Calcutá em uma carta a um sacerdote disse: Na nossa congregação havia o costume de fazer adoração ao Santíssimo Sacramento durante uma hora, uma vez por semana; mais tarde, em 1973, decidimos fazer adoração durante uma hora, todos os dias. Andávamos cheias de trabalho: as nossas casas destinadas aos doentes e aos moribundos desvalidos estavam lotadas. Mas, depois que começamos a adoração diária, o nosso amor por Jesus ficou mais íntimo, o nosso amor pelas irmãs mais solícito, o nosso amor pelo pobre mais compassivo. Na Eucaristia se entregas totalmente a nós como alimento nesta Palavra e no seu Corpo e Sangue que comungamos; então porque também não nos doar por inteiro a vós?
Na primeira leitura do livro do Êxodo vemos que o povo de Israel começa a murmurar contra a situação, alegando fome outras dificuldades; dizem até arrependidos querendo voltar à vida velha de escravidão (quantas vezes não agimos assim nos dias de hoje). Deus manda a carne (codornizes) e do céu manda-lhes o Maná. A explicação etimológica hebraica diz que Maná expressa surpresa: MAN HÛ’ “O que é isto?” e a resposta de Moisés: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”. O maná era o alimento que todos os dias uma cota e caia do céu, e podiam pegar somente a quantidade para passar um dia, se pegasse mais ele apodrecia e criava bichos, no sábado não caia o maná, mas na sexta vinha em quantidade maior e no sábado não estragavam. Seu gosto era igual a leite e mel.
Em tudo isto vemos a preocupação de Deus em oferecer o alimento que dá vida. Deus não quer satisfazer só a fome física; mas também (e principalmente) ajudar-nos a crescer, amadurecer e superar as dificuldades do dia a dia.
A segunda leitura da carta de Paulo aos efésios em consonância com a primeira leitura o apóstolo adverte para que os neoconvertidos não voltassem a proceder como pagãos, pois não fora isto que aprendera ao conhecer a Cristo. É necessário abandonar a vida de outrora, o homem velho e corrompido. Necessário se faz a renovação espiritual e o revestimento do homem novo. Um verdadeiro cristão jamais cruza os braços satisfeito com que faz ou se julgando santo e perfeito. A consequência da adesão é passar a viver de uma forma diferente, mas sempre em busca pois a plenitude só vira na glória.
Estamos no mês vocacional e a primeira semana enfoca a vocação para o ministério ordenado de diáconos, padres e bispos; a segunda ressalta a família, a terceira destaca a vida consagrada e, por fim, a quarta, os ministérios e serviços na comunidade. Neste primeiro domingo somos convidados a rezar pelo Ministério Ordenado, Bispos, Padres e Diáconos para que sejam santos e assim possam santificar a comunidade as quais pertencem.

Rezemos com o Salmista: Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Êx 16,2-4.12-15
Salmo: 77
2ª. Leitura: Ef 4,17.20-24
Evangelho: Jo 6,24-35

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *