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Ano B › 29/07/2018

17º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs

A alimentação da multidão (multiplicação de pães) é o único milagre narrado em todos os quatro evangelhos (Mt 14,13-21; Mc 6,32-44; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15), e o único narrado duas vezes (em duas versões variantes) em Mc (Mc 8,1-10) e em Mt (Mt 15,29-39).
Um antigo ditado popular nos diz: “O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada”! Na matemática de Jesus multiplicar é dividir! Sim neste Evangelho Jesus nos dá uma grande lição de partilha. O grande sinal de adesão ao Reino é a partilha; não só de pão, mas de tudo que se tem, inclusive, a própria vida. Jesus não só partilhou sua vida, mas a deu por completo; se doou por inteiro até a última gota de sangue. Neste Evangelho vemos como que uma preparação para o discurso do pão da vida (Jo 6) que sem sombra de dúvidas é uma das mais belas páginas das Sagradas Escrituras.
Jesus testa Filipe ao lhe perguntar onde comprar pão para tanta gente e nós da Comunidade Missionária Divina Misericórdia confessamos que Jesus nos testa todos os dias e todo dia Ele faz o milagre da multiplicação dos pães. O corre-corre do dia a dia não nos permite refletir, mas ao final do mês quando temos que assinar relatórios nos damos conta de que oferecemos milhares de refeições. Como conseguimos Senhor! A resposta está neste Evangelho, Jesus continua a multiplicar pães para seus pequeninos. O que estamos testemunhando hoje qualquer um que ler pode visitar uma de nossas casas e também testemunhar. Nós vivemos da providência; estamos por norma estatutária (vontade de Deus revelada ao nosso fundador) proibidos de fazer eventos tais como bailes, bingos, jantares, quermesses, rifas, etc. Temos que viver de doações de homens e mulheres de boa vontade que no Evangelho esta representado pelo menino que ofereceu os cinco pães e dois peixes.
O papa emérito Bento XVI ainda Cardeal Joseph Ratzinger escreveu no ano de 1969: No pão da eucaristia recebemos a multiplicação inesgotável dos pães do amor de Jesus Cristo, que é suficientemente rico para saciar a fome de todos os séculos, e que procura assim a colocar-nos, também a nós, ao serviço desta multiplicação dos pães. Os poucos pães de cevada da nossa vida poderão parecer inúteis, mas o Senhor precisa deles e pede-no-los.
Tal como a própria Igreja, também os sacramentos são fruto do grão de trigo que morre (Jo 12,24). Para recebê-los, temos de entrar no movimento de onde eles provêm. Este movimento consiste em nos perdermos a nós próprios, sem o que não nos podemos encontrar: “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho salvá-la-á” (Mc 8,35).
Esta palavra do Senhor é a fórmula fundamental da vida cristã; a forma característica da vida cristã vem-lhe da cruz. A abertura cristã ao mundo, tão enaltecida atualmente, só pode encontrar o seu verdadeiro modelo no lado aberto do Senhor (Jo 19,34), expressão deste amor radical, que é o único capaz de salvar.
Do lado perfurado de Jesus crucificado saíram sangue e água. O que, à primeira vista, é sinal de morte, sinal do mais completo fracasso, constitui ao mesmo tempo um começo novo: o Crucificado ressuscita e não morre. Das profundezas da morte surgiu a promessa da vida eterna. Por cima da cruz de Jesus Cristo resplandece já a claridade vitoriosa da manhã de Páscoa. É por isso que viver com Ele sob o signo da cruz é sinônimo de viver sob a promessa da alegria pascal. Por estas tão profundas palavras de Bento XVI nós podemos afirmar sem medo que a Eucaristia é o pão da vida e Cristo a distribui em abundância porque é seu próprio Corpo e Sangue doado para que nele todos tenham vida.
O Papa Francisco na Exortação apostólica Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho nos diz claramente: Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos! Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
Na leitura do 2º. Livro de Reis vemos Eliseu que é profeta do Deus Altíssimo receber o pão e como que numa prefiguração do milagre da multiplicação de pães o profeta também manda dar o pão aos famintos. Notem que a quantidade de pães era maior (20) e o número de pessoas era bem menor (100), demonstra que Jesus era maior que Eliseu multiplicou menos em mais e sustentou maior numero. O profeta não guarda os dons para si, mas reparte. O gesto de Eliseu revela como deve ser a generosidade e partilha de quem se coloca a serviço de Deus.
Na carta de Paulo aos efésios o apóstolo Paulo da prisão fala da necessidade da humildade, mansidão e paciência para que possamos suportar uns aos outros com amor. A Igreja é o corpo de Cristo formado por muitos membros, que são diferentes; mas todos dependem da cabeça que é Cristo. No batismo formamos este corpo e ele ressalta que há um só batismo; por isto nossa Igreja católica Apostólica Romana não brinca de batizar. Se uma pessoa foi validamente batizada em nome da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), não há porque querer batizar uma segunda vez.

Rezemos com o Salmista: Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 2Rs 4,42-44
Salmo: 144
2ª. Leitura: Ef 4,1-6
Evangelho: Jo 6,1-15

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