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Ano A › 30/07/2017

17º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs20374581_1391753834243171_622932462411443083_n
O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.
Mais uma vez o Evangelho convida-nos a usar os métodos de Deus, que não tem pressa nenhuma em condenar e destruir, mas dá ao homem todo o tempo do mundo para amadurecer as suas escolhas e fazer as suas opções. Sabemos respeitar, com esta tolerância e liberdade, o ritmo de crescimento e de amadurecimento dos irmãos que nos rodeiam?
Olhando para as duas primeiras parábolas podemos dizer que eles fizeram aos olhos humanos um grande investimento; vender tudo que tem e arriscar-se para ter rendimento maior. No caso do reino na verdade não é um investimento ou aplicação, mas a simples certeza de que nada pode haver de mais precioso do que a glória dos céus.
Se na parábola se mostra a esperteza nos negócios; decidir rapidamente antes que outro o faça. Assim deve agir o discípulo quando se defronta com o Reino e descobre seu valor infinito: “vender tudo quanto possui” para adquiri-lo
Como saber se um tesouro é verdadeiro? É só fazer como Salomão pedindo sabedoria de Deus e não a do mundo. Muitos são os ingênuos que por ambição de lucro fácil acabam caindo facilmente no conto do bilhete premiado aplicado por malandros muito bem treinados e perguntamos como é que pode uma pessoa cair em um conto desses… Em se tratando da nossa vida de fé, como discípulos de Jesus, corremos esse mesmo risco, e muita gente convertida cai em cada golpe; aliás tem gente pagando prestação da casa própria no céu ou então pagando em suaves parcelas a passagem para o céu e por aí vai.
O cristão todos os dias é convencido de que o êxito profissional e a fama são condições essenciais para triunfar e deixar a sua marca na história; mas ele não pode deixar-se seduzir por esses esquemas, pois a realidade do Reino vive-se na humildade e na simplicidade. O cristão faz a sua caminhada num mundo que exalta o orgulho, a autossuficiência, a independência; mas ele já aprendeu, com Jesus, que o Reino é perdão, tolerância, encontro, fraternidade.
O papa Francisco tem insistido bastante na necessidade de que nos conscientizemos de que somos nós os protagonistas do reino. Ele, Francisco nos leva a refletir que talvez o tesouro que vamos encontrar hoje seja o pobre, o doente, o drogado, etc.; e que tudo o que devemos abandonar talvez não seja o dinheiro e o poder (a maioria nem os tem), mas sim talvez devamos abandonar o devocionismo exagerado que não leva a nada, o tradicionalismo onde misericórdia não existe, o apego a burocracia, etc.
Para reforçar este pensamento de Francisco citamos palavras de Santa Teresa D’Avila na obra Castelo Interior 5ª morada, 3, 10-11 nos diz: “Minhas irmãs: como é fácil reconhecer entre vós aquelas que têm verdadeiro amor ao próximo e aquelas que o têm num grau inferior! Se compreendêsseis bem a importância desta virtude, não teríeis outra preocupação. Quando vejo pessoas muito ocupadas em examinar o seu recolhimento e tão imersas em si mesmas quando o praticam que nem ousam mexer-se para não desviar o pensamento, com medo de perderem um pouco do gosto e da devoção que aí encontram, penso que compreendem muito mal o caminho que conduz à união. Imaginam que a perfeição consiste nessa maneira de fazer as coisas. Não, minhas irmãs, não. O Senhor quer obras. Quer, por exemplo, que se virdes uma doente a quem podeis aliviar, deixeis de lado as vossas devoções para lhe dar assistência, e que lhe testemunheis compaixão, que o seu sofrimento seja o vosso, e que, se necessário, jejueis para que ela tenha o alimento necessário. E tudo isto não tanto por amor dela, mas porque é essa a vontade do nosso Mestre. Eis a verdadeira união com a sua vontade”.
Na leitura do primeiro livro de Reis vale destacar que no Antigo Testamento, o “sonho” aparece como forma privilegiada de Deus comunicar com os homens e de lhes indicar os seus caminhos. No sonho Deus interpela Salomão “que posso Eu dar-te?”; e Salomão consciente da importância de sua tarefa e de suas limitações pede a Deus que lhe dê um coração “sábio” para governar com justiça. A prece do rei é atendida e Deus concede a Salomão uma “sabedoria” inigualável acrescentada de outros três dons: a riqueza, a glória e a longa vida. Aprendemos desta leitura que o sábio é aquele que ver com olhar crítico os valores que a moda propõe; que sabe discernir o verdadeiro do falso, que distingue o que apenas tem um brilho daquilo que na essência é o importante. A figura do homem sábio interpela todos aqueles que detêm responsabilidades na comunidade e os convida a uma verdadeira atitude de serviço não para a realização dos próprios esquemas pessoais, mas sim para benefício de toda a comunidade.
Na carta de Paulo aos Romanos transparece o espanto que o apóstolo sente diante do amor de Deus pelo homem e nos convida a dar conta do extraordinário amor de Deus (amor que o homem não merece, mas que Deus, com ternura, insiste em oferecer, de forma gratuita e incondicional). Nos tempos atuais marcados por uma indiferença face a Deus, somos convidados a tomar consciência de que Deus nos ama e vem ao nosso encontro, apontando-nos o caminho da vida plena e verdadeira.
Rezemos com o Salmista: Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes. Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer! Maravilhosos são os vossos testemunhos, eis por que meu coração os observa! Vossa palavra, ao revelar, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos. Amém.

REFLEXÃO FEITA PELO DIÁCONO FRANCISCO 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Rs 3,5.7-12
Salmo: 118
2ª. Leitura: Rm 8,28-30 
Evangelho: Mt 13,44-52

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