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Ano B › 15/07/2018

15º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs
“Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”. Diríamos que muita tralha, a missão atrapalha! Mas há que se perguntar por que faltam missionários?
Vemos a crise de médicos não porque faltem médicos, mas porque os que existem querem ganhar dinheiro e prestígio com a profissão, o que trabalhando em um SUS não é possível. Já não encontramos professores de geografia e outras matérias não porque não tenha pessoas que gostem destas áreas da ciência, mas porque elas não dão dinheiro.
Infelizmente esta praga de pensamento entrou na Igreja e muitos dos que se colocam, a serviço do Evangelho estão mais é pensando em ganhar dinheiro com o anuncio do reino de Deus. Chamamos a atenção de todos os cristãos católicos para que olhem bem para aqueles que se dizem missionários do reino, vejam seu modo de viver, vejam o que Jesus falou no evangelho de hoje e comparem; pois é fácil de identificar tais lobos.
Ficamos a imaginar se Jesus estivesse a nos enviar com as palavras que fez o envio dos primeiros e parafraseando e atualizando creio que ficaria assim: “Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. Acolhei os moradores de rua, visitai os presidiários, ajudai os dependentes químicos. Recebestes de graça, de graça dai!
Não queiram viajar na primeira classe dos aviões; não leveis tablets, smartphones, Ipad e notebook muito caros; Não usem relógios patek philippe ou rolex que possam escandalizar, não cobrem caches em seus shows, nem missas e pregações; não exijam camarins com ar condicionado, água importada e frutas tropicais e por fim peço que não se hospedem em hotéis cinco estrelas, mas na casa dos irmãos onde comerá do que eles comem e acima de tudo nunca exijam quantidade mínima de fieis na assembléia para que possa cantar ou pregar. Vamos sempre nos lembrar de que o Deus que servimos é aquele que na cruz estava nu e sem nada e que no altar se imola no sacrifício incruento sob as simples espécies de pão e vinho.
Neste Evangelho também aprendemos uma grande lição, ou seja, ninguém se torna evangelizador se não for discípulo de Jesus e ninguém se auto envia; é preciso que Jesus envie e hoje Ele envia através da Igreja.
Antigamente se entendia missão como ir para terras distantes ou no meio dos índios. Hoje o Documento de Aparecida quer nos ensinar e motivar a sair da Igreja para ir até às pessoas, resgatando em primeiro lugar os católicos que abandonaram a fé.
Acrescentamos também que anunciar para aqueles aos quais conhecemos é muito mais difícil. Basta olharmos quando queremos que nossos familiares se convertam. Outro detalhe que torna esta missão mais difícil é que com aqueles que convivemos as máscaras não funcionam, pois eles nos conhecem.
Outro detalhe interessante de notar é que Jesus faz o envio não porque todos já estivessem super preparados, mas porque o povo necessitava. Aqui em nossa comunidade muitas vezes enviamos alguns ainda “verdes”, mas a missão grita para que enviemos operários. Tomamos toda cautela e assim como Jesus enviamos para missões supostamente mais próximas e fáceis e sempre iam acompanhados de alguém mais experiente. Jesus quis neste primeiro envio contar com a ajuda do ser humano a quem fez apóstolos, discípulos e companheiros. Ao longo de toda história do cristianismo esta máxima não mudou; pois Ele continua a chamar para compartilhar a missão e os chamados de hoje somos todos nós batizados. Não só os bispos, padres e diáconos, mas cada leigo também é profeta e evangelizador desde o dia do batismo. Missão está ratificada conscientemente no dia da confirmação. O decreto “Apostolicam actuositatem”,sobre o apostolado dos leigos diz: “Os cristãos seculares obtêm o direito e a obrigação do apostolado pela sua união com Cristo cabeça. Já que insertados no batismo no Corpo Místico de Cristo, robustecidos pela Confirmação na fortaleza do Espírito Santo, são destinados ao apostolado pelo mesmo Senhor. São consagrados como sacerdócio real e gente santa (Cf. 1 Pd 2,4-10) para oferecer hóstias espirituais por meio de todas as suas obras, e para dar testemunho de Cristo em todas as partes do mundo” (n.3).
Ser missionário requer paciência e perseverança; pois não estaremos livres das dificuldades, rejeições e forças contrárias. O ambiente que nos espera é hostil e o discípulo missionário tem que estar preparado. Mas não se paga o mal com o mal, por isso o discípulo é portador da paz. Na rejeição, sacudir o pó da sandália, isto é, não se deixar abater pelo fracasso e seguir em frente.
Existe o perigo do entusiasmo inicial comprometer toda a missão; por isto é preciso se prevenir contra a tentação do sucesso. Para nos livrarmos da tentação do sucesso, para ter forças contra os ventos contrários sem desanimar precisamos nos alimentar daquele que nos enviou e que se oferece como alimento embaixo das espécies de pão e no vinho.
Na primeira leitura da profecia de Amós vemos que o sacerdote Amasias representa a religião que se deixa envolver por outros interesses para assegurar benefícios, a religião protege os interesses do rei e em troca, o rei sustenta o santuário. a denúncia de Amós soa a rebelião contra estes interesses e por isso se tenta calar sua voz. Amós é convidado a voltar à sua terra para “ganhar aí o seu pão; no entanto Amós deixa claro que o profeta é um homem livre, que não atua por interesses humanos, e quem lhe mandou estar ali foi Deus.
Na carta aos efésios vemos um belíssimo hino litúrgico que deve ter circulado nas comunidades cristãs primitivas. Este hino dá graças pela ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo por oferecerem aos homens a salvação. O Pai, no seu amor, elegeu-nos desde sempre (antes da criação do mundo) para sermos santos e irrepreensíveis. Além de nos eleger, o Pai nos predestinou para sermos seus filhos adotivos. A morte de Jesus na cruz é o sinal evidente do amor de Deus pelos homens; Assim, Deus manifestou-nos o seu projeto de salvação (o mistério). Os que aderiram a Jesus foram marcados pelo “selo” do Espírito. Você não é um acidente, mas sim ator principal de uma história de amor que Deus sempre sonhou e que quis escrever e viver contigo e nesta história a centralidade de Cristo é fundamental. No meio das desilusões e sofrimentos, do pecado e do medo, não esqueçamos que somos filhos amados de Deus.

Rezemos com o Salmista: Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar. Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra. Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Am 7,12-15
Salmo: 84
2ª. Leitura: Ef 1,3-10
Evangelho: Mc 6,7-13

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