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Ano B › 17/06/2018

11º. Domingo Comum

Amados irmãos e irmãs

“O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
A mostarda é uma planta da família da couve ou repolho, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes, que tem duas espécies principais: branca e preta. A branca chega até atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 4 metros de altura. A negra é comum nas margens do lago de Tiberíades e seu tronco se torna lenhoso. Por isso os árabes falam de árvores de mostarda. Esta variedade só cresce ao longo do lago e nas margens do Jordão. Os pintassilgos, gulosos de suas sementes chegam em bandos para pousar nos seus galhos e comer os grãos. As sementes não são as menores entre as conhecidas, mas parece que eram modelo, na época, de coisas insignificantes.
Assim também todos aqueles que pregam a Palavra de Deus não devem se preocupar em querer por esforço humano fazê-la brotar; pois a Palavra age por força dela mesma e pela ação do Espírito.
A conclusão a que chegamos é que não é a beleza física ou a eloquência ou ainda o número de títulos e diplomas do pregador que irá converter os corações.
Na construção do Reino de Deus nós somos apenas pedreiros e serventes enquanto Jesus é o engenheiro e mestre de obras. Se tivermos consciência disto iremos assentar os tijolos e o piso conforme o mestre mandar sem se preocupar como ficara a obra ao final; afinal de contas Ele o mestre sabe tudo, como disse Pedro: Senhor tu sabes tudo!
Nossa missão como cristãos é lançar a semente na terra e esperar. O Reino de Deus exige empenho de semear; pois não seremos nó que faremos brotar e crescer. A impaciência do discípulo pode colocar em risco toda sua pregação e aqui lembro o que sempre falamos em nossa comunidade para tomar cuidado quando tiver ímpetos de querer ajudar Deus a fazer as coisas acontecerem.
Quando era criança minha mãe colocava a galinha para chocar os ovos e na parede marcava os dias e eu ficava esperando chegar o vigésimo primeiro dia para levantar a galinha e ver os pintinhos nascidos e aí me deparava com aqueles ovos trincados; então para ajudá-los a nascer eu os quebrava e tirava o pintinho de dentro da casca e colocava embaixo da galinha e é claro que a maioria morria, pois eu estava a desrespeitar a natureza das coisas. O discípulo impaciente se desespera pela lentidão das coisas e não acredita que uma pequenina semente de mostarda pode se tornar uma árvore.
Às vezes olhamos ao nosso redor e nos desesperamos dizendo que não tem mais jeito, que tudo está perdido; porém nós cristãos não podemos agir assim, devemos sempre acreditar na força e poder do nosso Deus. Lembro aqui das palavras do Beato John Henry Newman que dizia: “Tal é o Reino escondido de Deus: do mesmo modo que está agora escondido, assim será revelado no momento certo. Quem poderia conceber, dois ou três meses antes da Primavera, que a face da natureza, aparentemente morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e variada? O mesmo acontece com essa Primavera eterna que todos os cristãos esperam: ela virá, ainda que venha tarde. Esperemo-la, pois O que há de vir, virá e não tardará. É por isso que dizemos em cada dia: Venha a nós o Vosso reino.
São Pedro Crisólogo, bispo e doutor da Igreja no Sermão 98; CCL 24A, 602 nos ensina: Como diz Cristo, o Reino de Deus é como um grão de mostarda. Cristo é o Reino: como um grão de mostarda, foi deitado à terra num jardim, o corpo da Virgem. Cresceu e tornou-Se a árvore da cruz que cobre toda a terra. Cristo é o Reino, pois nele reside toda a glória do seu reino. E Cristo é o homem, pois o homem na sua totalidade é renovado nele. Cristo é o grão de mostarda, o instrumento de que Deus Se serve para fazer descer toda a sua grandeza em toda a pequenez do homem. Ele próprio Se tornou todas as coisas, para renovar todos os homens nele. Enquanto homem, Cristo recebeu o grão de mostarda que é o Reino de Deus; enquanto Deus possuía-o desde sempre. Ele deitou a semente à terra no seu jardim.
O jardim é esta terra cultivada que se estendeu por todo o mundo, lavrada pela charrua da Boa Nova, encerrada pelos limites da sabedoria; os Apóstolos penaram para arrancar todas às ervas daninhas. Dá gosto contemplar as jovens plantas que são os crentes, os lírios que são as virgens e as rosas que são os mártires: flores que dão constantemente o seu perfume.
Cristo semeou, pois, o grão de mostarda no seu jardim. A semente criou raízes quando Ele prometeu o seu Reino aos patriarcas, germinou com os profetas, cresceu com os Apóstolos e tornou-se a árvore imensa que estende os seus longos ramos sobre a Igreja, e lhe prodiga os seus dons. Toma as asas de prata da pomba de que fala o Profeta (Sl 67,14). Levanta voo para usufruir de um repouso sem fim, fora do alcance dos laços (Sl 90,3), por entre folhagens magníficas. Sê suficientemente forte para assim levantares voo, e vai habitar em segurança nesta vasta morada.
O profeta Ezequiel nos fala que Deus toma aquilo que é pequeno aos olhos dos homens (“um ramo novo”) e, através dele, vence o orgulho e a prepotência e confunde os poderosos. Deus prefere a humildade e simplicidade. Os pequenos e humildes não estão abandonados à própria sorte; Deus não desistiu desta humanidade que Ele ama e quer salvar. O cristianismo atravessa momento de sombras e graves inquietações no tempo presente; mas Deus continua a nos acompanhar e apontar caminhos. Assim sendo devemos vencer o medo que por vezes, nos impede de dar testemunho de esperança cristã.
Na leitura da carta de são Paulo aos Coríntios Paulo reflete sobre a grandeza e as dificuldades, os riscos e as compensações de quem se propõe a anunciar e testemunhar o Evangelho. Ele defende que vale a pena os desafios, pois ao final da caminhada terrena uma vida nova, plena e eterna nos espera. A vida terrena, passageira e mortal é, para Paulo, um exílio “longe do Senhor”. Não se trata de negligenciar a vida terrena, mas sim de dar a ela um verdadeiro sentido para não torna-la descartável e muito menos dar a ela importância tal como se fosse aqui nossa pátria definitiva; ou seja, não podemos viver a cultura do provisório, que dá prioridade ao que é efêmero em detrimento do que é eterno.

Rezemos com o Salmista: Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus altíssimo! Anunciar pela manhã vossa bondade, e o vosso amor fiel, a noite inteira. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Ez 17,22-24
Salmo: 91
2ª. Leitura: 2Cor 5,6-10
Evangelho: Mc 4,26-34

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